Sociedade Justiça Jean Boustani paga testemunhas

Jean Boustani paga testemunhas

Jean Boustani terá de pagar pelo menos 1.2 milhão de dólares a duas testemunhas que depuseram sexta-feira (15) a seu favor.

A defesa do libanês considerado pelos americanos como arquitecto das dívidas ocultas procura convencer a justiça que os projectos estavam bem estruturados mas falharam mas Moçambique falhou na implementação.

Desde quarta-feira que estão a ser ouvidas no Tribunal de Brooklyn as testemunhas arroladas pela defesa de Jean Boustani. Até agora cinco pessoas estiveram neste edifício para depor a favor do executivo libanês.

O primeiro depoimento foi de Meline Mcman, uma economista que trabalha para uma empresa de finanças que presta serviços a privinvest. Disse que apesar dos subornos que terão sido pagos terem sido feitos usando o dólar, o sistema financeiro onde ocorreram as transacções não foi o americano.

Quinta-feira (14) depuseram dois colaboradores seniores da Privinvest. O alemão Peter Kuhn, engenheiro responsável pela construção de navios justificou a intervenção da privinvest em Moçambique pela necessidade de prevenção da pirataria na costa moçambicana. Acrescentou que a Privinvest forneceu materiais para 18 estações de sondagem costeira.

Outra testemunha foi o holandês Johan Valentijn, arquitecto naval responsável pelos projectos da Abu Dhabi Mar. Valentijn disse que os objectivos da Privinvest visavam “tornar Moçambique mais sustentável” e “fornecer opções ao país para fazer mais dinheiro”.

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Já na sexta-feira foi testemunha de Jean Boustani, David Hinmam, especialista em mercados. Hinman disse que as pessoas que compraram os títulos das dívidas deviam saber do risco de corrupção. “Era sabido que em Moçambique o suborno era comum, e funcionários do governo rotineiramente aceitavam subornos e propinas para aprovar projectos de obras públicas”, disse.

Mas Hinman já não presta serviços a Privinvest por isso cobrou pelo tempo gasto com o processo. Disse ao tribunal que cobra 750 dólares por hora, que multiplicados pelas 300 horas que afirmou ter gasto para preparar a apresentação que fez em tribunal deve ser pago 225 mil dólares.

Outra testemunha que começou a depor sexta-feira é Chudozie Okongwu, especialista em comércio internacional e mercados emergentes. Okongwu apenas apresentou-se mas já avançou que não sendo quadro da privinvest, vai cobrar 950 dólares por hora, pelo tempo gasto na preparação do seu depoimento. Foram 100 horas gastas, que multiplicadas por 950 dólares resulta em 95 mil dólares. Nas investigações trabalhou com seis técnicos que devem ser pagos 900 mil dólares.

Ou seja pelos dois especialistas que testemunham em um dia, sexta-feira, Jean Boustani teve uma factura de 1.220.000 dólares, cerca de 86 milhões de meticais.

O País

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