Um total de 460 menores, com idade inferior a 12 anos, incluindo três rapazes, foram violadas sexualmente no país, diz o relatório do Departamento de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência, do Comando-Geral da Polícia.

O relatório, que cobre os últimos nove meses, refere que no mesmo período de 2018, foram violadas sexualmente 381, o que corresponde a um aumento de 20,7 por cento.

No mesmo período foram registados 142 casos de atentado ao pudor contra menores e 108 actos sexuais, 10 casos de assédio sexual e dois de lenocínio.

O último estudo efectuado nas escolas primárias da cidade de Maputo concluiu que maior parte de violações sexuais de menores ocorre no percurso escola-casa ou vice-versa.

Como forma de travar a violação de menores, sobretudo de alunos, as autoridades decidiram embarcar numa campanha que inclui palestras, nas escolas primárias do país, para sensibilizar os pais e encarregados de educação sobre a gravidade do problema.

No sábado, as escolas primárias de Maxaquene, 16 de Junho e do Alto-Maé, na cidade de Maputo, acolheram palestras que tiveram como tema principal “Relevância da Vigilância dos Alunos no Percurso Casa-Escola e vice-versa”.

Falando para a AIM, em Maputo, à margem do evento, a chefe do Departamento, Nádia Lucas Buzi, explicou que só na cidade de Maputo, capital do país, um total de 94 menores sofreram diversas violações relacionadas à liberdade sexual durante o primeiro semestre.

“Aqui temos que fazer menção de que são rapazes e raparigas. Não são apenas violadas raparigas, os rapazes também são vítimas”, disse Nádia Buzi.

O relatório diz que a nível de todo o país, 12 rapazes foram violados sexualmente.

Nádia Lucas apela aos pais e encarregados de educação para prestarem mais atenção em relação os seus filhos e educandos sobre sinais de abuso sexual.

“As crianças que nós estamos a deixar na rua por muito tempo correm riscos, não só no âmbito da segurança rodoviária, que podem sofrer danos irreversíveis, mas principalmente, crimes contra a liberdade sexual. Estamos a falar de violação, do abuso sexual, lenocínio, raptos e muito mais”, vincou.

Disse que os malefícios têm preocupado o Departamento de Atendimento à Família e Menores Vítimas de Violência, pelo que a instituição que dirige decidiu efectuar palestras nas escolas primárias do país.

Com um total de 94 casos, a província central da Zambézia é a que regista maior número de casos de violação sexual de menores de 12 anos de idade, seguido de Nampula, com 91 casos. A cidade de Maputo, capital moçambicana, regista 25 casos e na última posição consta a província de Cabo Delgado, com um total de 12 ocorrências.

Para os crimes contra atentado ao pudor, a província central de Manica registou 82 casos, a província central de Sofala teve 48 casos, e a província setentrional do Niassa teve apenas um caso.
No geral, no período em análise, 1405 casos de crimes contra a liberdade sexual foram notificados, contra 1203 de igual período de 2018, o que corresponde a um aumento de 202 casos, ou seja 16,8 por cento.

Nádia Lucas disse que as crianças são as maiores vítimas de crimes contra a liberdade sexual.

Jornal Notícias