O julgamento do ex-Presidente da África do Sul Jacob Zuma, por alegado favorecimento ao grupo francês Thales num contrato de armamento, marcado para ontem (16), foi adiado, com o advogado de defesa a informar que iria contestar as acusações.

A decisão foi anunciada no Tribunal Superior de Pietermaritzburg, na província sul-africana de KwaZulu-Natal (leste), e a próxima audiência foi marcada, provisoriamente, para 04 de Fevereiro.

A África do Sul aguarda com expectativa esta audiência, desde sexta-feira, dia em que a justiça sul-africana negou o requerimento apresentado pelos advogados de Jacob Zuma para que lhe fossem retiradas todas as acusações, alegando que tinham motivos políticos, que houve muitos atrasos que dificultaram o trabalho da defesa e que, em suma, não estava garantido um julgamento justo.

A decisão da justiça na sexta-feira abriu caminho para o julgamento começar hoje, decorrido mais de um ano de prorrogações e providências preliminares, mas a intenção da defesa de Jacob Zuma de contestar as acusações perante uma instância superior deixa o julgamento novamente em suspenso.

“O Sr. Zuma está pronto para enfrentar esse julgamento há mais de 14 anos”, disse hoje o seu advogado, Thabani Masuku, antes de esclarecer que, no entanto, o ex-Presidente “pretende exercer todos os ser direitos constitucionais, o que inclui o direito de apelar [recorrer]”.Assim, a defesa terá até Novembro para interpor o recurso.

Por seu lado, o procurador do caso, Billy Downer, sublinhou durante a audiência que o Ministério Público está “pronto” para iniciar o processo e que argumentará contra o apelo anunciado pela defesa de Zuma.

No final da sessão, o ex-Presidente, entre 2009 e 2018, recebeu o apoio de várias centenas de seguidores que se reuniram em Pietermaritzburg para mostrar a sua solidariedade.O ex-chefe de Estado e os seus seguidores enfatizaram a tese de que Zuma é vítima de “uma caça às bruxas”.

A multidão, no entanto, foi menor desta vez do que em outras ocasiões, uma vez que, de acordo com a comunicação social local, Zuma não terá mais recursos para alugar autocarros para transportarem os seus seguidores.

Os órgãos de comunicação local têm especulado sobre uma potencial falta de capacidade financeira do ex-Presidente para enfrentar o julgamento, se este tivesse começado hoje.Neste processo, Jacob Zuma é acusado de associação ilícita, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude por envolvimento em 800 operações, supostamente fraudulentas, a favor de um contrato milionário de aquisição de armamento assinado no final dos anos de 1990 com a empresa francesa Thales.

RM