Dois ataques com carros armadilhados foram perpetrados na Somália, um contra uma base que abriga soldados norte-americanos, a cerca de 100 quilómetros a noroeste de Mogadíscio, outro contra uma coluna militar de veículos da União Europeia na capital somali.

O grupo extremista islâmico Al-Shebab reivindicou o ataque à base militar, sem que se saiba, por enquanto, se houve vítimas, mas não se pronunciou sobre à coluna de veículos da UE.

Foram ouvidas duas fortes explosões, seguidas de tiros, na base Baledogle, onde formadores militares norte-americanos treinam as forças especiais somalis, confirmou uma testemunha ocular do portal de notícias da Somália Goobjoog News, assim como fontes locais à agência France-Presse.

“Estava a cerca de 300 metros de distância quando dois camiões (com guerrilheiros jihadistas) chegaram ao acampamento”, disse a fonte citada pelo Goobjoog News, sob condição de anonimato, especificando que os veículos “eram como os usados no ataque de 14 de Outubro” de 2017, dia em que pelo menos 587 pessoas foram mortas num atentado com camiões bomba da Al-Shebab num hotel e num mercado em Mogadíscio, no pior ataque terrorista da história da Somália.

Segundo a mesma fonte, houve então uma intensa troca de tiros entre os jihadistas e os militares na base – de onde os EUA têm também vindo a realizar ataques com drones contra a Al-Shebab – antes da retirada dos atacantes.

Já em Mogadíscio, versões não coincidentes dão conta da explosão de uma mina à passagem do comboio de veículos militares onde seguiam conselheiros militares europeus, sem vítimas, e de um ataque com um veículo-bomba lançado contra esse comboio, provocando um número não especificado de vítimas mortais, de acordo com Omar Abikar, um oficial de segurança, em declarações à AFP.

Um comboio militar de veículos blindados da UE foi atingido por uma mina, que explodiu no seu trajecto enquanto viajava em Mogadíscio, depois de ter estado no Ministério da Defesa da Somália. O comboio fazia parte da Missão de Formação da UE (EUTM-S), que treina o exército somali, segundo uma declaração da missão citada pela agência Efe.

“Nenhum soldado foi ferido na explosão. Dois veículos foram danificados. O pessoal do EUTM-S não disparou quaisquer tiros neste incidente”, explica a nota citada pela Efe, que não coincide com a informação avançada pela AFP.

Mogadíscio é frequentemente atacado pela Al-Shebab, uma organização terrorista que aderiu à rede internacional Al-Qaida em 2012, e que controla parte do centro e do sul do país e visa estabelecer um Estado wahabi islâmico na Somália.

A Somália vive num estado de guerra e caos desde 1991, quando o ditador Mohamed Siad Barre foi derrubado, deixando o país sem um governo eficaz e nas mãos de milícias islâmicas radicais, senhores da guerra e bandos criminosos armados.

JN