Um investigador turco foi na quinta-feira condenado a 15 anos de prisão por ter revelado os riscos de cancro provocados pela poluição tóxica no oeste da Turquia, uma sentença definida como uma “paródia da justiça” pela Amnistia Internacional (AI).

Bulent Sik foi condenado por “divulgação de informações confidenciais”, precisou a agência noticiosa AFP. Em 2018, este investigador revelou os resultados de um estudo conduzido entre 2011 e 2015 com outros cientistas para o ministério da Saúde, que estabelece uma ligação entre a toxicidade dos solos, da água e dos alimentos e as elevadas taxas de cancro em diversas províncias do oeste do país.

Após estas conclusões, redigiu diversos artigos para o diário Cumhuriyet após ter verificado que o Governo não estava a adoptar medidas.

O estudo “revela claramente a que ponto os recursos de água estavam contaminados por substâncias tóxicas”, declarou Sik aos media após o veredicto. No entanto, vai permanecer em liberdade até à conclusão do apelo.

“A decisão do tribunal demonstra que os resultados de um estudo directamente relacionados com a saúde pública podem ser dissimulados. Isto é inaceitável”, acrescentou.

Os grupos de defesa dos direitos humanos e do ambiente acusam o Governo de não aplicar as regulamentações ambientais apesar do impulso industrial em diversas regiões do país.

A zona industrial de Dilovasi, situada a cerca de 80 quilómetros de Istambul e que acolhe numerosas fábricas de produtos químicos e de metalurgia, foi particularmente citada no relatório por registar casos de cancros muito superiores à média internacional.

“Em vez de perseguir quem emite os alertas através dos tribunais, as autoridades turcas deveriam analisar este importante problema de saúde pública”, declarou à AFP Andrew Gardner, um especialista da Amnistia Internacional na Turquia.

JN