Cerca de 33% da energia gerada em Moçambique é proveniente do gás explorado nos blocos de Pande e Temane, na província de Inhambane, segundo o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH).

“Os ganhos de exploração do gás, pelo menos na região sul do país, estão a vista. Hoje o gás já contabiliza um terço só em cinco TCF”, disse Omar Mithá, perspectivando, que o plano da ENH é tornar o gás na maior fonte de geração de energia nos próximos anos.

O PCA da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos foi orador principal da palestra promovida pela Universidade de Maputo, com tema “Petróleo e Gás: Perspectivas sócio-económicas”.

Na ocasião, o reitor da Universidade de Maputo questionou a ligação da indústria de hidrocarbonetos com o currículo escolar actual.

“A ligação da indústria do gás e petróleo continua sendo uma miragem para as nossas instituições de ensino porque os canais que nos deveria aproximar, nomeadamente, o regulador (Instituto Nacional de Petróleo) e os operadores (petrolíferas) parece estar ainda muito longo do consenso”, referiu Jorge Ferrão.

Sobre os riscos da chamada “doença holandesa”, ou maldição dos recursos naturais, o académico indicou que para o caso de Moçambique, “dá impressão que estamos condenados a sofrer as consequências de algo que nem sequer conhecemos e dominamos”.

O termo doença holandesa surgiu na Holanda nos anos 60 e 70 a partir da descoberta de enormes reservas de gás. O acréscimo repentino de exportações desse produto causou mudanças importantes na economia desse país. A excessiva apreciação cambial decorrente da renda gerada pela nova descoberta implicou numa retracção do sector de bens comercializáveis manufactureiro, que acabou por gerar desemprego e menores taxas de crescimento.

O País