Um dos governadores do centro de Moçambique anunciou a suspensão de actividades de empresas mineiras de capitais chineses e sul-africanos que exploram ouro devido à poluição que provocam e por não ajudarem a acabar com a pobreza.

“Vamos continuar a ser implacáveis para essas empresas: se não estão preparadas, vamos mandar fechar. Estes recursos não podem ser uma maldição”, referiu o governador da província de Manica, Rodrigues Alberto, num comício realizado na segunda-feira em Mavonde, aldeia do interior leste, junto à fronteira com o Zimbabué.

“A responsabilidade social é uma questão de cumprimento da lei, não é um favor”, precisou, anunciando uma suspensão de actividades de algumas mineradoras na região, mas sem avançar números e nomes.

As punições podem levar mesmo à retirada de licenças, referiu.

Aquele responsável considerou haver um contraste muito grande entre a intensidade da exploração de ouro e a pobreza que caracteriza a região.

A declaração de Rodrigues Alberto foi feita depois de a população se queixar de expropriação de campos agrícolas, poluição dos rios, degradação de estradas e falta de cumprimento de promessas de construção de escolas e centros de saúde pelas mineradoras.

Rodrigues Alberto assegurou que as autoridades “estão a apertar o cerco a estas empresas”.

Durante uma visita feita a várias mineradoras na região, foi verificado que a contribuição para o desenvolvimento das comunidades “era ínfima ou inexistente”.

O governante disse que vários rios estão poluídos com produtos tóxicos da actividade mineira – por exemplo, mercúrio, usado na lavagem do ouro, colocando em perigo a criação de gado e a agricultura, que são bases de subsistência da população.

“Que o negócio seja feito respeitando as comunidades locais, desenvolvendo-as e, acima de tudo, respeitando os valores mais elementares da conservação do meio ambiente”, referiu Rodrigues Alberto.

O distrito de Manica, fértil em recursos minerais, enfrenta uma forte actividade de extracção de ouro e bauxite por empresas nacionais e estrangeiras, a par de uma intensa actividade de garimpo, que envolve crianças.

Geralmente os garimpeiros vendem o ouro as empresas mineiras, com licenças de exportação, uma medida apoiada pelo governo para evitar o contrabando do minério.

Observador