“É um pouco prematuro fazer uma avaliação sobre o impacto do que esse desastre implica em termos das variáveis macroeconómicas do país, do crescimento económico ou da inflação. O que sabemos é que pode ser significativo. O desastre tomou realmente proporções muito grandes, mas a avaliação precisa de ser feita em grande coordenação e cooperação com as autoridades moçambicanas”, disse o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Moçambique, Ari Raisen.

O responsável falava em Maputo no âmbito da missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Moçambique ao abrigo das consultas do Artigo IV, que ocorrem anualmente com os países-membros do FMI.

Nesse contexto, reafirmou o apoio da organização a Moçambique. “O FMI apoia o país e estamos sempre juntos em assistência técnica, aconselhamento e política. Vamos ter oportunidade de discutir apoio financeiro”, afirmou Ari Raisen.

O FMI foi uma das organizações internacionais que suspendeu os apoios financeiros a Moçambique em 2016, na sequência da revelação de empréstimos não declarados por empresas estatais da ordem de 2,2 mil milhões de dólares, que tornaram a dívida pública insustentável e por haver indícios de corrupção.

O balanço provisório da passagem do ciclone Idai é de 557 mortos, dos quais 242 em Moçambique, 259 no Zimbabué e 56 no Maláui. O ciclone afectou pelo menos 2,8 milhões de pessoas nos três países africanos e a área submersa em Moçambique é de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, segundo estimativas de organizações internacionais.

A cidade da Beira, no centro litoral de Moçambique, foi uma das mais afectadas pelo ciclone, na noite de 14 de Março, e a ONU alertou que 400.000 pessoas desalojadas necessitam de ajuda urgente, avaliada em mais de 40 milhões de dólares (mais de 35 milhões de euros).

Retoma de apoio ao país?

Sobre a retoma do apoio ao país, Ari Raisen disse que será preciso ainda conversar com o Governo de Moçambique, remetendo mais pormenores para mais tarde. “Esta missão está no país e escutará as autoridades moçambicanas para saber que tipo de assistência poderia oferecer no momento”, disse.

A missão técnica começou a 13 de Março e prolonga-se por duas semanas. O artigo IV requer consultas do FMI às economias dos países-membros, por forma a exercer a sua monitorização e consequente aconselhamento com vista ao crescimento e estabilidade económica e não inclui ajuda financeira.

Já em Janeiro, Ari Aisen havia referido à Lusa que a relação ente Moçambique e o FMI em 2019 seria somente ao abrigo das consultas previstas naquele artigo do Fundo.

A visita do FMI acontece numa altura em que, após três anos e meio sem avanços da justiça moçambicana na investigação ao caso, os EUA mandaram deter banqueiros internacionais, um intermediário e o ex-ministro das Finanças Manuel Chang, desencadeando outras 11 detenções em Moçambique.

DW