Ângela Buque Leão, esposa de Gregório Leão, ex-director-geral do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), foi detida na manhã de ontem por ordens do Ministério Público, indiciada de ser uma das pessoas que beneficiou de valores provenientes das dívidas não declaradas.

A arguida recolheu depois de o esposo ter sido detido, indiciado nos mesmos factos processuais. Ela é o 12º de um total de 21 arguidos constituídos pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações em curso às dívidas ocultas.

Ângela Leão, segundo indicia a PGR, terá recebido dinheiro do esquema das dívidas ocultas através de transferências e pagamentos feitos a partir da conta da empresa do co-arguido Fabião Salvador Mabunda, igualmente detido na última quarta-feira, na sequência do mesmo processo.

Fabião Mabunda é um empresário da área de construção civil descrito pela PGR como tendo cedido a conta bancária da sua empresa para o casal Ângela e Gregório Leão receberem dinheiro proveniente das dívidas ocultas.

Estão ainda detidos neste processo António Carlos do Rosário, presidente do Conselho de Administração das empresas PROINDICUS, EMATUM e MAM; Ndambi Guebuza, filho do antigo Presidente Armando Guebuza e descrito no processo como tendo recebido avultadas somas em dinheiro; Teófilo Nhangumele, considerado peça-chave na elaboração do projecto que deu lugar às dívidas ilegais; Inês Moiane, antiga secretária particular do Presidente Guebuza; Bruno Tandane, Sérgio Namburete e Sidónio Sitoe.

Elias Moiane é o único arguido a quem o tribunal decidiu conceder liberdade condicional, sob condição de pagar um milhão de meticais.

Entretanto, as autoridades judiciais sul-africanas deverão iniciar na próxima segunda-feira a análise, em separado, dos pedidos de extradição do antigo ministro moçambicano das Finanças, Manuel Chang, que se encontra detido naquele país desde 29 de Dezembro último, a coberto de um mandado internacional exarado pela justiça federal norte-americana.

Ontem, a Procuradoria-Geral da República de Moçambique deu entrada no Tribunal de Kempton Park um pedido para que Manuel Chang, deputado e antigo ministro das Finanças, seja extraditado para Moçambique. Antes, as autoridades norte-americanas tinham submetido um pedido à justiça sul-africana, solicitando que Manuel Chang seja extraditado para os Estados Unidos.

Entretanto, o advogado de Manuel Chang, Willie Vermeleun, revelou que o seu constituinte manifestou o desejo de ser extraditado para Moçambique, e não para os Estados Unidos, por ser um país estranho, onde dificilmente serão salvaguardados os seus direitos.

Como factor determinante para a tomada da decisão final serão observados alguns factores, como data e lugar onde os crimes ocorreram, a nacionalidade do arguido, o interesse de cada um dos Estados que pedem a sua extradição e o país de residência do antigo governante.

Refira-se que a decisão do juiz de avaliar separadamente os processos de pedidos de extradição comunga com o desejo dos advogados de defesa do moçambicano, contrariando, desta feita, o Ministério Público sul-africano que pretendia que fosse em simultâneo.

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