O principal líder da oposição nos Camarões, Maurice Kamto, é hoje apresentado a um tribunal militar que o acusa de insurreição, rebelião e hostilidade para com a pátria, arriscando a pena de morte, de acordo com a Amnistia Internacional (AI).

Kamto foi detido a 28 de Janeiro, poucos dias depois do Movimento para a Renascença dos Camarões (MRC), liderado por si, ter convocado manifestações contra o resultado das eleições presidenciais de 22 de Outubro.

Os resultados oficiais deram a vitória ao Presidente dos Camarões, Paul Biya, com 71,28% dos votos, enquanto Maurice Kamto obteve 14,23% dos votos. Os manifestantes exigiam uma recontagem dos resultados.

As acusações de insurreição, rebelião e hostilidade para com a pátria, ditadas por um tribunal militar no passado dia 13, podem conduzir à pena de morte nos Camarões, advertiu hoje a organização não-governamental (ONG) de direitos humanos.

A sentença está prevista na legislação camaronesa, mas não é aplicada há pelo menos 10 anos.

“É aterrador que as autoridades camaronesas estejam a considerar condenar Maurice Kamto à morte apenas por ousar participar em protestos pacíficos”, disse a directora regional da AI para a África Ocidental e Central, Marie-Evelyne Petrus Barry.

Ao mesmo tempo, a ONG contestou o facto de que os membros da oposição, sendo civis, estejam a ser julgados por um tribunal militar, apelando ao fim deste “impiedoso ataque a vozes dissidentes”.

As autoridades camaronesas acusam o líder da oposição de ter incentivado manifestações “não autorizadas” por todo o país, em 26 de Janeiro, durante as quais foram registados, pelo menos, dez feridos e 200 detenções em várias cidades.

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