Uma mulher detida na Austrália sob suspeita de envolvimento em mais de 200 casos registrados de agulhas inseridas em morangos comercializados no país foi identificada na segunda-feira (12) pela polícia de Queensland como My Ut Trinh, de 50 anos. Ela era supervisora de uma fazenda que produz as frutas.

Trinh foi alvo de sete acusações associadas ao caso. Ela compareceu perante um tribunal nesta segunda, onde teve a negado o direito à liberdade sob fiança após os promotores expressarem preocupação com possíveis interferências junto às testemunhas e afirmarem que ela poderia sofrer retaliações públicas por suas acções.

A juíza Christine Roney disse que, embora a promotoria tenha afirmado que a acusada teria agido motivada por sentimentos de rancor e vingança, ela não concederia a liberdade sob fiança até que as razões pela qual ela cometido o crime fossem esclarecidas.

O detective superintendente da polícia de Brisbane, Jon Wacker, disse que houve 230 relatos em todo o país de morangos contaminados envolvendo 68 marcas diferentes em seis estados do país e chegando até a Nova Zelândia. O estado australiano mais afectado foi o de Queensland com 77 casos, dos quais 15 foram considerados como denúncias falsas.

A indústria do morango no país, que movimenta 116 milhões de dólares anualmente, foi abalada pelo escândalo, que levou muitos consumidores a evitarem o produto. Várias das principais cadeias de supermercados removeram as frutas das prateleiras, fazendo com que alguns produtores tivessem que jogar fora parte da produção em meio a alertas sobre uma série de falências no sector.

A Associação dos Produtores de Morango de Queensland disse que a crise foi “gerada pelas mídias sociais”, e que as “verdadeiras vítimas” foram os produtores e os exportadores.

Trinh é uma refugiada vietnamita que chegou de barco ao país há cerca de vinte anos e se tornou cidadã australiana. Ela trabalhava como supervisora dos apanhadores de frutas na fazenda Berrylicious, ao norte de Brisbane, quando supostamente inseriu agulhas nas frutas entre os dias 2 e 5 de Setembro.

A acusada permanecerá sob custódia até sua próxima aparição perante o tribunal, no dia 22 de Novembro. Se condenada, ela poderá receber pena de dez anos de prisão, após o governo australiano ter reforçado as punições para esse tipo de crime, numa tentativa de conter a crise. O país também passou a considerar as denúncias falsas como acções criminosas.

Metrópoles