Uma jovem escapou à morte, na noite da última terça-feira, após escapar das mãos de um malfeitor, quando regressava da escola. A estudante sofreu facadas no pescoço.

O caso aconteceu no bairro Muelé-2, na província de Inhambane, quando Mercina Lourenço, uma jovem de 21 anos de idade, regressava da escola por volta das 22h00 e, subitamente, foi interpelada por um desconhecido, à entrada de casa.

O indivíduo agarrou-a pelo pescoço e seguidamente tapou-lhe a boca, para evitar que gritasse e chamasse atenção de vizinhos. Mas porque a vítima mostrava resistência, o agressor desferiu alguns golpes no pescoço com uma faca.

Segundo a aluna da 9ª classe na Escola Secundária Emília Daússe, o indivíduo tinha a intenção de lhe roubar e violar sexualmente. “Ouvi gritos e, também com medo, fui tentando ver o que é que estava a passar-se, ela chamava pela tia, ajude-me, estou a perder sangue. Quando reparei, constatei que estava com o pescoço aberto”, contou a tia, Ana Amélia, que socorreu a vítima. Segundo ela, quando os vizinhos chegaram, foi possível levá-la ao hospital, deixando enormes manchas de sangue no chão, que denunciavam a brutalidade da acção.

Os vizinhos contabilizam dois casos desta natureza no bairro, este ano. Um dos moradores disse ter visto dois indivíduos estranhos, quando também regressava a casa. “Eu sempre usei o mesmo caminho e passo por esta casa. Quando cheguei adiante, vi dois jovens. Ignorei e, minutos depois, ouvi gritos de uma mulher, afinal, era a moça a ser agredida”, disse Rainito Pedro. “Já é a segunda vez que isto acontece. Há meses, uma outra jovem escapou. Quando os bandidos queriam disparar contra ela, o carregador caiu e a moça fugiu”, acrescentou.

A falta de iluminação pública, agravada pela não existência de patrulhamento policial, segundo os moradores, pode ter contribuído para a ocorrência destes crimes. “Também já sofri. Por duas vezes, levaram os móveis na minha residência”, disse uma residente local.

O Hospital Província de Inhambane confirmou a entrada da vítima e avançou que, apesar da profundidade dos ferimentos, o seu estado clínico era animador. “Fizemos a lavagem e tratamento dos ferimentos, mas neste momento ela já pode receber tratamentos em casa”, disse Douglas Uamir, clínico-geral.

Após a alta, a vítima contou com amargura o susto e desespero por que passou durante aqueles minutos, que, segundo diz, se tornaram uma eternidade e que deixarão marcas indeléveis no corpo e na alma. “Não o conheço. Quando eu estava a abrir o portão, ele abordou-me e disse não estás a perder-te?. Eu não respondi. Depois, senti a agressão no pescoço e fechou-me a boca, para não gritar. Arrancou-me o telemóvel e corri para dentro a gritar”, detalhou a vítima.

O País