O Tribunal de Cabo Delgado, que julga um grupo de insurgentes que há um ano provoca mortes a civis e militares, duplicou de dois para quatro as sessões de audiências semanais para dar vazão ao volume de réus no processo, disse a fonte oficial à VOA.

Desde o início do julgamento, a 3 de Outubro, foram realizadas quatro sessões e julgados 39 réus, dos 189 acusados de terem dirigido a insurgência armada que paralisou, há um ano, a vila de Mocímboa da Praia, se alastrou para mais distritos de Cabo Delegado.

O tribunal desactivou as audiências nos dois centros de reclusão, onde decorria o julgamento em paralelo, e concentra-se, desde a semana passada, na audição de 10 réus por dia, no edifício principal do tribunal, disse.

“Por causa do volume de réus, aumentou-se duas audiências por semana, estão sendo ouvidos em declarações réus presos, assim como réus não presos” disse à VOA, Zacarias Napatima, porta-voz do Tribunal Judicial Provincial de Cabo Delgado.

Ao todo estão a ser julgados 189 arguidos, sendo 15 mulheres. Entre eles, constam 29 tanzanianos e três somalis.

Segundo consta do processo acusatório, desde que iniciaram os ataques, os arguidos assassinaram um número indeterminado de civis e militares, roubaram 37 armas do tipo AK47 e mais de cinco mil munições nas instalações policiais, destruíram bens da população e atentaram contra o poder do Estado.

“O público está a aguardar com muita expectativa, e do nosso lado estamos a envidar um grande esforço, no sentido de que em menos tempo este caso tenha um desfecho, embora reconhecemos que o trabalho é intenso dado o volume de réus em julgamento” frisou Zacarias Napatima.

Juristas ouvidos pela VOA sustentam que ao concentrar o julgamento em sessões únicas, o tribunal pode produzir melhor as provas e dar um desfecho melhor ao caso.

Até agora são desconhecidas as causas e os rostos da insurgência que tem aterrorizado os distritos de sul de Cabo Delgado.

VOA