O Secretário-Geral da Renamo, Manuel Bissopo, afirmou ontem, na cidade de Nampula, que três meses são suficientes para a reintegração dos seus homens nas Forças de Defesa e Segurança.

Bissopo entende que “este tempo é suficiente para que as regras e princípios a ser seguidos, de acordo com os entendimentos já alcançados, sejam cumpridos”.

O dirigente disse ainda que o seu partido quer que todo o processo decorra num ambiente “o mais saudável possível para que a reintegração aconteça tal como foi consenso” entre o ex-líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e o Presidente da República, Filipe Nyusi.

“Há vontade de todos os lados. A Renamo quer que esta paz seja para sempre, a intenção é que não exista apenas uma única força com armas, para que não sejam essas a matar-nos amanhã”, afirmou, citado pela AIM.

O secretário-geral da Renamo fez estas declarações à sua chegada a Nampula, onde diz ter ido trabalhar com as bases para preparar “as vitórias” do seu partido nos pleitos que se seguem.

Segundo Bissopo, “o processo em curso de desmilitarização está a decorrer normalmente dentro dos acordos entre o líder da Renamo e o Chefe do Estado”.

“Nós sentimos que temos um grande compromisso com o povo, que é a manutenção da paz”, afirmou.

Questionado pelos jornalistas sobre os ataques protagonizados por homens armados em algumas regiões da província de Cabo Delgado, norte do país, Bissopo condenou “aqueles que estão a matar sem escrúpulos”.

“O governo tem de encontrar urgentemente medidas para estancar esta onda de crimes. São matanças sem escrúpulos que não garantem a boa convivência entre os moçambicanos”, disse.

Ainda segundo Manuel Bissopo, estes actos travam a credibilidade de Moçambique e inviabilizam mais investimentos que podem ajudar milhares de moçambicanos.

“Temos esperança que nos próximos tempos a governo irá resolver esta situação que mina o nosso Estado”, afirmou.

Anunciou ainda que nos próximos dias irá trabalhar em todas as autarquias da província de Nampula.

Entretanto, o Presidente da República defende que o desarmamento, desmobilização e reinserção social dos homens armados da Renamo é condição “sine qua non” para um Moçambique democrático, estável, pacífico que se pretende desenvolvido e livre da pobreza.

Falando na Praça do Heróis Moçambicanos, por ocasião da passagem do 43º aniversário da independência nacional, que se assinalou na última segunda-feira, Nyusi destacou que vai continuar a dialogar e a vincar o consenso que havia alcançado com Dhlakama, no que diz respeito a este processo.

Segundo Nyusi, com o falecido líder da Renamo já tinham sido identificadas as linhas de acção e a calendarização do cronograma de implementação e preenchimento conveniente da organização resultante do consenso.

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