O presidente do Conselho Municipal de Manica, Raimundo Quembo, é acusado de estar a chantagear o empresário Paulino Noé, o qual inclusive foi exigido 250 mil meticais para emitir o seu DUAT de um terreno que era de sua pertença.  

Dados em poder do “Diário de Moçambique” indicam que em Setembro de 2016, o edil de Manica pediu emprestado 250 mil meticais ao referido homem de negócios, que em 2017 viria a requerer a legalização de seu espaço para a construção de um empreendimento turístico.

Aquando da cobrança do valor, no lugar de o presidente devolver os 250 mil meticais emprestados, exigiu outros 250 mil meticais como condição para despachar favoravelmente o seu expediente, que deu entrada em Janeiro de 2017.

Na verdade, segundo aquele empresário, o terreno ora requerido a edilidade era seu e o pedido feito ao município destinava-se somente para a sua legalização.

Sucede que depois de ver recusado o pedido de 250 mil meticais, o edil de Manica resolveu atribuir o mesmo terreno a dois outros agentes económicos daquela circunscrição territorial da província de Manica.

Em Setembro de 2016, o edil de Manica pediu-me emprestado 250 mil meticais para resolver alguns problemas relacionados com a sua escola de condução e que me poderia reembolsar três semanas depois. Em 2017, solicitei a emissão de DUAT de um terreno que eu já tinha, mas quando solicito a devolução do dinheiro, o edil pediu-me mais 250 mil meticais para flexibilizar o meu expediente” – contou o empresário, acrescentando que momentos depois, “o edil mandou seu ajudante de campo com o seu número de conta bancária para que eu depositasse dez mil meticais com urgência, os quais serviriam para dar início ao meu processo”.

Ainda segundo Paulino Noé, o preço da cobrança da dívida “desaguou” no indeferimento do pedido de DUAT.

Mais tarde o presidente do município devolveu os 250 mil meticais e orientou-me a apagar todas as SMS e as chamadas por ele efectuadas à minha pessoa na altura da solicitação dos outros 250 mil meticais, destinados a favorecer o meu processo” – afirmou Paulino, revelando que o mais curioso nesta história toda reside no facto de o presidente ter informado ao empresário que “tudo dependia dele para a autorização e consequente arranque do seu projecto”.

O empresário referiu ter participado o caso ao Gabinete Regional Centro de Combate à Corrupção, cuja sede se localiza na cidade da Beira, província de Sofala.

Diário de Moçambique