Traficantes fortemente armados invadiram de madrugada uma UPA, Unidade de Pronto Atendimento, numa favela da zona norte do Rio de Janeiro e raptaram um médico de plantão para atender em outro local um criminoso que havia sido baleado e estava em estado grave.
Os criminosos também roubaram a ambulância da UPA, na qual levaram o médico e o criminoso ferido rumo a local ainda desconhecido esta segunda-feira, provavelmente uma clínica ou hospital clandestino criado para atender traficantes.
O médico raptado ficou quase seis horas em poder dos criminosos e foi deixado ao amanhecer numa cidade da chamada Baixada Fluminense, na área metropolitana do Rio de Janeiro. Ele está tão apavorado que se recusa terminantemente a dar esclarecimentos à polícia, pois teme ser assassinado se cooperar com as investigações.
A odisseia do médico, cuja identidade está a ser preservada, começou pouco depois da uma da madrugada de domingo, na UPA da favela da Maré, zona norte da capital fluminense, onde ele dava plantão nas urgências.
Cerca de 50 homens armados com fuzis de guerra invadiram e dominaram a UPA e exigiram que os médicos salvassem o comparsa, que sangrava muito.
O criminoso fora ferido apenas num braço, supostamente durante um confronto com a polícia ocorrido pouco antes na Avenida Brasil, mas uma das balas atingiu uma artéria e provocou uma hemorragia de grandes dimensões.
Os médicos disseram que na UPA, um posto de saúde onde apenas podem ser dados os primeiros socorros, não havia condições para o atendimento de que ele precisava e que, por isso, o ferido tinha de ser transferido com a máxima urgência para um hospital maior, para ser operado imediatamente.
Os bandidos não aceitaram ir para um hospital oficial, onde poderiam ser alvo de uma acção policial, e disseram que iam levar o ferido para um local da confiança deles mas que um médico da UPA tinha de acompanhá-los, para dar atendimento ao ferido durante a transferência e ajudar depois na cirurgia.
Forçando o motorista da ambulância da UPA a entregar-lhes as chaves da viatura e as roupas, obrigaram um dos médicos a entrar no veículo e a seguir com eles. Só depois das sete da manhã o médico foi libertado, provavelmente após ter operado o ferido num hospital clandestino a serviço do crime, uma situação comum no Rio de Janeiro.
A ambulância usada na transferência do criminoso ferido foi deixada no mesmo local de onde fora roubada, à porta da UPA da favela da Maré, no final da manhã de domingo, numa outra demonstração da ousadia dos criminosos. Wellington Vieira, o delegado (inspector) responsável pela investigação do caso, acredita que o criminoso ferido possa ser o traficante Thiago da Silva Folly, conhecido como “TH”, que comanda o tráfico de droga no Complexo de Favelas da Maré, face à verdadeira operação de guerra montada pelos criminosos para o salvar.
A polícia tenta agora, através dos quilómetros rodados pela ambulância, cujo localizador GPS foi bloqueado pelos criminosos com um equipamento próprio para isso, estabelecer os destinos possíveis de atingir pelo veículo, para tentarem localizar o local para onde o médico e o ferido foram levados.
CM














