Kwon Oh-hyun, CEO da Samsung Electronics, anunciou em carta aos funcionários sua renúncia ao comando da empresa, em movimento que surpreendeu o mercado, já que a companhia espera um lucro recorde de US$ 12,8 bilhões para o terceiro trimestre.

Felizmente estamos tendo receita recorde agora, mas isso é fruto de decisões e investimentos feitos no passado”, afirmou.

Maior fabricante global de chips de memória, smartphones e TVs, a Samsung deve bater seu recorde anual de receita, graças a alta na demanda por chips. A venda de semicondutores, estimada em US$ 7,2 bilhões, também puxou a alta no trimestre.

Segundo o comunicado oficial da empresa, Kwon Oh-hyun, funcionário desde 1985, deve permanecer como presidente do Conselho de Administração até o fim do seu mandato, em Março de 2018. “Enquanto somos confrontados com uma crise sem precedentes, creio que chegou a hora de a companhia começar de novo, com novo espírito e nova liderança”, disse o executivo.

Nem mesmo o bom resultado foi suficiente para aplacar a crise pela qual a companhia passa desde o início do ano, quando Jay Y. Lee, herdeiro da empresa, foi preso, acusado de envolvimento em um escândalo que levou ao impeachment da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.

Jay Lee foi preso preventivamente em Fevereiro, um mês antes da destituição da presidente, e condenado a cinco anos de prisão no fim de Agosto.  Entre as acusações estavam crimes como corrupção, desfalque, ocultação de recursos no exterior e lavagem de dinheiro. O bilionário ainda deve apelar para a Suprema Corte.

Atualmente, a companhia é o principal conglomerado sul-coreano, com mais de 60 empresas afiliadas e activos que ultrapassam US$ 320 bilhões. A empresa também é a maior fabricante global de smartphones, com mais de 20% de participação nas vendas, bem à frente de sua maior rival, a Apple.

A soma do valor de mercado das empresas da Samsung com capital aberto representa hoje aproximadamente 30% do valor de mercado do índice da bolsa de valores sul-coreana Kospi.

Metrópoles