Uma mulher está detida, na cidade de Quelimane, depois de queimar o seu marido com recurso à gasolina, por ciúmes.

Conta a vítima, já hospitalizada, que tudo começou quando este saiu, no passado sábado, para se divertir e, quando regressou a casa, já no domingo, encontrou a sua esposa com as amigas e foi deitar-se. Sucede que, instantes depois, ele desperta já com o fogo a tomar conta do seu corpo. Resultado: queimaduras do primeiro e segundo graus em mais de 40% do corpo. “Sendo assim, a situação dele é grave, vamos fazer o nosso melhor para salvar este paciente”, disse Rosário Nado, médico do Hospital Central de Quelimane que está a cuidar de Anselmo Edgar.

“Sempre brigamos, mas não tinha intenção de o queimar”

Agora detida, Samira Martins garante que não tinha intenção de queimar o marido. A indiciada diz que a acção foi o “iceberg” do mau momento do relacionamento. “Não foi intencional. Ele bebe muito. Constantemente, ele sai às sextas-feiras e volta às segundas, por isso, sempre me aborreço com ele. Eu já lhe havia sugerido a separação, mas ele não aceitava”, contou a indiciada, que depois avançou que, apesar de estar há cerca de cinco anos com o marido, não conhece os seus familiares. “Só conheço ele, não conheço nenhum familiar dele, não sei nada sobre o passado dele”, disse Samira.

Indiciada vai responder por dois crimes

De acordo com o porta-voz da Polícia na Zambézia, Miguel Caetano, a cidadã irá responder por dois crimes, nomeadamente, violência física grave e cárcere privado, visto que reteve o marido no quarto e não prestou o devido socorro. “Depois de cometer os actos, teria mantido o marido em cativeiro, dentro da sua residência. Foi graças aos vizinhos que, depois de notarem algo estranho, alertaram a polícia. Quando lá chegamos, deparámo-nos com aquela situação e socorremos a vítima, levando-a ao hospital”, contou.

De Janeiro a esta parte, a polícia diz que já registou 210 casos de violência doméstica.

Comando-geral diz que mulher teve intenção

Para o comando-geral da PRM, a cidadã que queimou o marido agiu intencionalmente, visto que, depois da acção, tomou a iniciativa de fotografar e difundir as fotos da vítima. “O que é bastante triste e lamentável é o facto de a cidadã, depois de cometer o crime, ter sido ela a pegar no telemóvel e tirar fotografias, algumas das quais pararam nas redes sociais. Ademais, ela mandou as fotos para alguns familiares”, disse Inácio Dina, porta-voz do Comando-Geral.

Devido ao aumento deste tipo de sacos, a Polícia aconselha os casais desavindos a optarem pelo divórcio, antes que cheguem ao extremo. “Não estamos a incentivar divórcios, mas quando uma relação não tem condições para continuar, no lugar de se atingir o extremo de se tirar a vida ou mutilar-se, é melhor que arranjem outra solução que não prejudique crianças ou as famílias em geral”, referiu Dina.

Na semana de 11 a 17 deste mês, 21 pessoas morreram e 40 ficaram feridas, em resultado de 27 acidentes de viação, em todo o país.

O País