Nos últimos anos, mais de 150.000 pessoas procuraram atendimento nos Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental em Moçambique, representando cerca de seis por cento do total da população moçambicana.
A informação foi avançada ontem (27), pelo Secretário Permanente do Ministério da Saúde, Zacarias Zindoga, durante a Conferência Internacional sobre Pesquisas Inovadoras em Saúde Mental, em Maputo.
“Nos últimos anos investimos na formação e no aumento do número de profissionais da área de Saúde Mental, entre Psiquiatras, Psicólogos e Técnicos de Psiquiatria. Também trabalhamos na expansão dos serviços de Psiquiatria e Saúde Mental para todos os distritos do país, na abertura de serviços de atendimento aos toxicodependentes, nas intervenções a doentes mentais nas ruas, intervenções psicológicas em situações de crise e calamidades, e ainda na implementação do Programa de Redução da Lacuna do Tratamento da Epilepsia”, disse Zindonga.
Por sua vez, a chefe do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Lídia Gouveia, fez saber que doenças como a epilepsia, esquizofrenia e problemas relacionados ao consumo de substâncias psicoactivas e perturbações afectivas são as que ocupam os primeiros lugares em termos de prevalência dos casos atendidos nas unidades sanitárias que tenham Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental.
“As nossas acções têm-se centrado na prevenção destes problemas, daí que trabalhamos na sensibilização a nível das comunidades para persuadir as famílias de modo que logo que se aperceberem de alguns sinais levem o paciente à unidade sanitária o mais rápido possível para diagnóstico e tratamento, assim como para evitar o estigma. Muitas pessoas não buscam por tratamento devido à forma como a sociedade olha para as pessoas que vão às consultas de psiquiatria”, disse.
No encontro participaram pesquisadores de países como Estados Unidos, Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde e São Tomé com o objectivo de discutir formas práticas e eficazes de fazer pesquisas na área de Saúde Mental, nos próximos cinco anos.
Para a presidente da Associação Americana de Psiquiatria, há espaço para o desenvolvimento de pesquisas na área de Saúde Mental em Moçambique, contudo alerta que é preciso tomar atenção à escassez de recursos.
“Nós não podemos desperdiçar os recursos do país em programas que não funcionam. Daí que é importante fazer pesquisa para confirmar que as acções do Ministério e do país valem a pena”, disse Antónia.
Actualmente, Moçambique tem 13 psiquiatras, sendo que mais quatro estão em formação para atender os cerca de 26 milhões de habitantes.
O País













