Mais três indivíduos engrossam, desde a passada sexta-feira (05), o número de cidadãos que por força da lei vivem limitados a quatro paredes. Há três anos, os visados, condenados a 21 e 31 anos de prisão efectiva, pelo Tribunal Judicial da Província de Maputo (TJPM), assaltaram uma residência no bairro de Ndlavela, na cidade da Matola, onde apoderam-se de diversos bens e impiedosamente assassinaram o dono com recurso a um pau de pilar.

Para a família, a condenação dos homicidas não tratará o seu ente querido de volta à vida, mas “é um alívio e sinal de que a justiça tarda, mas sempre chega”.

O malogrado, que respondia pelo nome de José Matecane, encontrou a morte numa madrugada, em Abril de 2013, quando pretendia se aperceber de uma movimentação estranha na sua casa, tendo sido surpreendido pelos bandidos com uma paulada, e caiu definitivamente inanimado.

Na referida madrugada, para ter acesso à habitação do finado, os três réus, que respondem pelos nomes de Gerito Sitoe, condenado a 21 anos de cadeia, Waldemar Nhachote e Jaime Maoche, condenados a 27 e 31 anos de prisão, respectivamente, escalaram o muro.

Eles podiam ter sido condenados a mais anos de reclusão, mas beneficiaram de um atenuante: a sua confissão de envolvimento no crime. E deverão ainda ressarcir a família da vítima com 138 mil meticais, de acordo com a decisão do TJPM.

O tribunal entendeu que o facto de os três réus terem invadido a propriedade de José Matecane, à noite, é prova bastante de que agiram de má-fé e houve vontade consciente de cometer o crime de que foram castigados.

Aliás, no dia do assalto, Gerito Sitoe encontrava-se fora da casa do finado a controlar a movimentação dos transeuntes e de eventuais pessoas que podiam estragar a operação, enquanto os seus comparsas pilhavam tudo o que puderam.

Em Junho último, a Procuradora-Geral da República (PGR), Beatriz Buchili, disse ao Parlamento que, de há tempos a esta parte, ocorre um maior envolvimento de jovens com idades compreendidas entre 22 e 35 ano em actos criminais. A situação verifica-se sobremaneira nos centros urbanos.

Segundo a guardiã da legalidade, dos 10.815 arguidos registados em 2015, pelo menos 7.572 (70%) envolvem jovens daquela faixa etária. “Esta realidade remete-nos a uma reflexão profunda (…) sobre o futuro dos nossos jovens e do país”.

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