A companhia mineira brasileira Vale suspendeu o transporte de carvão na linha férrea de Sena, em Moçambique no seguimento de dois ataques aos carregamentos na semana passada, disse a empresa à Lusa.

O transporte na linha do Sena foi interrompido desde 08 de Junho, quando houve o último incidente“, disse hoje a porta-voz da empresa em Moçambique à Lusa, acrescentando que “não há impacto nem na produção nem nas exportações até ao momento”.

Nos ataques da semana passada não foram registadas vítimas mortais, havendo apenas alguns ferimentos no condutor num membro da tripulação, apesar dos tiros disparados contra a locomotiva.

Ocorreram recentemente dois incidentes envolvendo comboios da Vale na linha de Sena em Moçambique; o primeiro ocorreu no dia 06 de Junho por volta das 10:00 e o segundo ocorreu no dia 08 de Junho por volta das 20:00“, disse a porta-voz à Lusa.

Ambos os comboios da Vale vinham no sentido de Moatize a Beira, foram alvejados por tiros no troço do distrito de Inhaminga; no primeiro evento, os tiros estilhaçaram os vidros da janela do comboio e os estilhaços atingiram o maquinista e seu auxiliar, e no segundo, estilhaços de vidro atingiram o auxiliar do maquinista no pé esquerdo tendo o mesmo contraído ferimentos ligeiros“, pormenorizou a porta-voz.

Moçambique tem conhecido um agravamento dos confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o principal partido da oposição, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

A polícia moçambicana responsabiliza a Renamo por emboscadas a viaturas civis em vários troços da principal estrada do país, na região centro.

O principal partido da oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.

As delegações do Governo moçambicano e da Renamo voltaram a reunir-se no princípio do mês, pela terceira vez, desde a retomada de conversações entre as duas partes no final do mês passado, visando preparar as condições de um encontro entre Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

As duas partes anunciaram recentemente ter chegado a consenso sobre a proposta de agenda e os termos de referência do encontro, mas não adiantaram pormenores sobre o conteúdo do entendimento.

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