O preço do pão em vigor no país poderá manter-se, desde que o Governo e a Associação Moçambicana dos Panificadores (AMOPÃO) encontrem mecanismos de contornar os elevados custos de produção.
Os panificadores, que ontem estiverem reunidos na cidade de Maputo, dizem estar “asfixiados” com o cenário actual em que adquirem a matéria-prima a altos preços e vendem o pão a valores abaixo dos custos de produção.
Afirmam que já enviaram uma proposta ao Governo com vista à solução do problema, que já resultou no encerramento de 98 padarias nos últimos quatro meses.
Sem entrar em detalhes em relação à informação constante no documento partilhado com o Executivo, Victor Miguel, presidente da AMOPÃO, disse haver a possibilidade de o preço do produto manter-se, bastando para tal que as autoridades accionem algum dispositivo que permita os panificadores obterem ganhos na produção e venda.
Caso não haja entendimento sobre o amortecimento dos custos de produção e/ou permissão da subida do preço os panificadores garantem que mais padarias poderão fechar as portas.
Aquando do último reajuste do preço em Outubro do ano passado, que fixou em 6,00 meticais o pão de 200 gramas e 7,50Mt o de 250 gramas, o saco de farinha de trigo custava 1025,00Mt e hoje o mesmo é adquirido a cerca de 1400,00Mt. No Centro e Norte os preços são ainda mais altos, de acordo com a AMOPÃO.
A reunião dos panificadores foi inicialmente à porta fechada, mas depois foi permitida a entrada de jornalistas, numa altura em que os associados falavam das dificuldades por que passam para continuarem a produzir aquele alimento.
Manuel Ganhane, que falou em nome dos panificadores de Gaza, disse que pelo menos 10 padarias já encerraram naquela província devido à subida do preço da matéria-prima, manutenção dos equipamentos e outros elementos da cadeia produtiva.
Quanto ao peso, problema recentemente levantado pela Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE), Victor Miguel orientou os associados a se manterem calmos, uma vez que a instituição está a interagir com o Governo no sentido de adoptar uma melhor forma de aferir o peso do pão.
Actualmente pesa-se a massa antes da entrada no forno, mas há uma série de condições que podem fazer com que o pão de 250 gramas não tenha as 235 ou 240 gramas esperadas após a cozedura. Uma das condições determinantes para isso é a humidade da farinha, que aliada à água adicionada durante a preparação da massa concorre para a leveza do produto final.
Victor Miguel disse não saber quando é que o Governo convocará a AMOPÃO para analisar a proposta enviada, mas espera que seja para breve, tendo em conta as dificuldades enfrentadas pelos panificadores.
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