De acordo com a notícia avançada ontem, pelo Ministério da Saúde, não houve envenenamento na bebida tradicional Phombe, que tirou a vida de cerca de 75 consumidores.

As conclusões são de um laboratório norte-americano, que identificou a presença de uma bactéria denominada “Burkholderia”, micro-organismo responsável de duas toxinas presentes nas amostras de pombe e da farinha de milho usada para confeccionar a bebida, trata-se do ácido bongkerequico e da toxoflavina, apontados nos resultados da análise como causa da morte de cerca de 75 pessoas e mal-estar em outras 232 cidadãos, que a 9 de Janeiro consumiram a bebida na localidade de Chitima, distrito de Cahora Bassa, em Tete.

De acordo com a investigação em causa, a farinha de milho ficou estragada na casa onde estava armazenada, após chuvas que alagaram o local. “Embora tenha sido considerada imprópria para consumo directo, a farinha foi julgada adequada para a produção de phombe”, refere o relatório, indicando que a bactéria detectada no ingrediente produziu uma “quantidade significativa” das toxinas (ácido bongrequico e toxoflavina).

Apesar deste tipo de intoxicação ser raro, estas duas toxinas já figuravam na literatura científica, que relatam casos de acontecimento súbito, comparáveis com o caso de Chitima, na China e na Indonésia também resultantes do consumo de alimentos fermentados.

Na altura,  o Governo decretou três dias de luto nacional e criou uma equipa multissectorial para investigar as causas da tragédia. Em consequência disso, um homem foi preso em Fevereiro, suspeito de ter envenenado a bebida, hipótese descartada esta quarta-feira, anunciou Ilesh Jani, director do Instituto Nacional de Saúde.

O caso de Chitima ocorreu na noite de 09 de Janeiro, sexta-feira, quando de regresso de um funeral dezenas de pessoas que consumiram a bebida tradicional, visitaram na mesma noite, o Centro de Saúde de Chitima, e a partir da madrugada de sábado a unidade começou a receber centenas de vítimas e a mulher que preparou a bebida foi encontrada morta dentro de sua casa.

De referir que amostras de pombe e da farinha tinham sido enviadas também para África do Sul e Portugal, onde os laboratórios não obtiveram resultados conclusivos.

RM