Destaque Venda de Hortícolas: A difícil luta pela sobrevivência

Venda de Hortícolas: A difícil luta pela sobrevivência

Garantir pelo menos uma refeição ao dia não tem sido fácil para muitas famílias moçambicanas. A vida está difícil, o emprego formal não está disponível para maioria dos cidadãos, por isso a alternativa tem sido a actividade informal.

Logo nas primeiras horas do dia, muito antes de muitos acordarem, há pessoas que já estão a trabalhar. Saem de casa pela madrugada e só regressam, por vezes, ao escurecer.

Refiro-me, particularmente àqueles que vão procurar hortícolas nas machambas dos camponeses para posterior revenda.

Estas pessoas com carrinhas de mão ou “txovas”, faça sol, faça chuva, percorrem as artérias dos bairros periféricos a vender produtos como couve, alface, cacana, folhas de abóbora e de feijão, na tentativa de se aliviarem da pobreza.

Para publicitarem o seu negócio ouvem-se sempre nessas horas, habituais vozes femininas a gritarem bem alto, para dizer os compradores o preço de cada molhinho de couve, repolho ou alface que, na maioria das vezes, são amarrados sem se observarem as condições de higiene mas, mesmo assim, são muitos consumidores que compram.

Alface2

Entrevistados pela reportagem do MMO a propósito do negócio, apurou-se que maior parte deles são pais de famílias mas que devido à falta de emprego, facto que forçosamente lhes obriga a procurarem outras formas alternativas de sustentar a família.

Gil Marcos disse  que compra as hortícolas nas machambas localizadas na zona do Infulene e revende repolho, alface ou couve.

“Não é um negócio rentável, mas ajuda a custear as despesas da casa. Com o dinheiro que consigo também compro material escolar para os meus dois filhos”, disse.

Segundo o nosso entrevistado, a sua aposta é de continuar a desenvolver aquele negócio até que pelo menos os seus filhos consigam concluir o ensino secundário, tanto é que os mesmos estão conscientes sobre a situação financeira caótica que assola à família, daí que estão a dar prioridade aos estudos de forma a compensar os sacrifícios que os pais estão a fazer neste momento.

Alface3

Por sua vez, João Mate,  pai de três filhos, explicou que pratica essa actividade há sensivelmente dois anos, por falta de emprego, mas com o dinheiro que ganha consegue sustentar a sua família e por vezes resta algum para satisfazer os seus caprichos.

 De referir que o vale de Infulene constitui a maior, senão a principal cintura verde de Maputo. Dali provém quase metade da produção hortícola de toda a zona sul do país.

Neste momento, directa ou indirectamente, inúmeras famílias dependem dos seus produtos para sobreviver. A venda é feita por canteiros que actualmente variam entre 300 e 500 meticais, um preço considerado alto devido à escassez de produtos causada pela onda de calor dos últimos tempos.

No Inverno, particularmente nos meses de Maio a Setembro, o preço chega a baixar para 100 meticais. Segundo os agricultores, os produtos são vendidos nos mercados de Maputo, Xai-Xai e África do Sul a preços que variam de acordo com as margens de lucro dos revendedores.

Artigo anteriorNyusi defende nação escolarizada para consolidação da paz
Próximo artigoJapão recorda tragédia de 2011