Humilde, meiga, simpática, delicada, solidária, tradicionalmente moçambicana são algumas das características da nossa entrevistada. Foi numa das suas empresas que Dita Mpfumo contou a sua história de vida, numa entrevista bastante descontraída.

Mãe, esposa e empreendedora, Dita gosta de encarar desafios e se superar. Com  35 anos de idade, Dita Mpfumo diz ter-se apaixonado pelo negócio ainda na infância e conta ter na altura vendido acessórios femininos na escola em que estudava.

Em conversa com o MMO, a entrevistada conta a sua história no mundo do negócio, como começou o seu percurso até abrir a sua própria empresa e deixa dicas para pessoas que procuram dar o primeiro passo no empreendedorismo.

Dita Mpfumo  estudou da primeira à quarta classe na Escola da Frelimo, tendo passado para a Escola Primária A Luta Continua por dois meses e depois o resto da formação fez no colégio Kitabu em Maputo. Depois disso foi à África do Sul para completar a formação superior em Marketing.

Quando criança, Dita sonhava em ser uma mulher empreendedora, trabalhar por conta própria.

“Sempre tive o bichinho de empreendedorismo. Quando tinha oito anos de idade, recordo-me de ter dito ao meu pai que no futuro ia comprar um carro luxuoso e ainda na infância já vendia objectos femininos na escola”, disse.

Em 2007  a vida de Dita Mpfumo deu uma volta de 180 graus. Tudo porque decidiu arriscar.

Ela decidiu abrir o seu próprio negócio e tornar-se uma empreendedora de sucesso mesmo sem ter tido capital e financiamento bancário.

Foi com esse espírito que Dita e a amiga tiveram a iniciativa de abrir uma empresa onde, inicialmente, preparavam cabazes natalícios com produtos moçambicanos tais como frutos silvestres desde doce de mandioca, matoritori tendo nos primeiros dois meses vendido cerca de 1300 cabazes.

A ambição de ser rica e ter melhores condições fez com que  Dita Mpfumo tivesse a iniciativa de levar o valor dos 1300 cabazes para criar a empresa Kussema Limitada que se dedica à Gestão de refeitório, fornecimento de uniformes & material de protecção, serviço de limpeza de escritórios, residências & recrutamento de pessoal doméstico,  Procurement & Logistica,  Gestão e produção de eventos corporativos (seminários, workshops, lançamentos de marcas e produtos) e Produção de brindes corporativos/cabazes natalícios com produtos moçambicanos e internacionais.

Na altura não tinham escritórios por isso usavam um centro familiar. A empresa conta actualmente com 11 trabalhadores .

Hora de  avançar…

Passados seis anos a trabalhar na Kussema Limitada, Dita Mpfumo decidiu agarrar outro desafio. Abriu uma outra empresa denominada Thula-Thula com a sua sócia Nádia Lima.

A Thula-Thula é um centro familiar que presta serviços de spar, boutique de maternidade. E depois viram a necessidade de expandir os serviços que têm a ver com mulheres e crianças.

Actualmente, para além da boutique da maternidade tem uma boutique de crianças e uma  clínica de vacinação que presta assistência a pessoas com  idades compreendidas entre os zero a 88 anos de idade. Há ainda vários consultórios de pediatria, nutrição e psicólogos. Existe ainda a parte das actividades físicas nomeadamente  ginástica e  hidroginástica.

Dita Mpfumo revelou estar satisfeita com o desenvolvimento das duas empresas pois finalmente as coisas estão a acontecer mesmo sabendo que as dificuldades como a falta de recursos humanos, falta de financiamento e barreiras ao colocar o produto no mercado  fazem parte de qualquer negócio. “É   difícil lutar com os tubarões mas o caminho é para frente e o mar será para todo o peixe”.

Para além de pagar salário aos seus trabalhadores a empreendedora intervém na área pessoal através do bónus no final do ano, tempo para os seus estudos, prémio de desempenho.

Ainda não me considero uma empresária…

Dita Mpfumo diz não se considerar uma empresária mas sim uma pessoa que gosta de aproveitar as oportunidades que lhe aparecem  para criar um negócio.

 E eu sempre quis superar-me. Sempre dizia para mim mesma, por mais que eu não consiga fazer, eu tenho que me superar. Sempre aceitei desafios e não parava quando uma dificuldade me aparecia. A primeira vez era um desafio e a segunda vez já sabia fazer. Diz-se que “a pessoa só aprende a andar andando”, então foi assim que as coisas iam  acontecendo.

No seu ponto de vista, a área de empreendedorismo em Moçambique está a crescer, há muitas mulheres empreendedoras, informais, que fazem coisas incríveis mais até do que as formais  mas que não conseguem entrar para o mercado formal.

Para  ela, ser uma mulher empreendedora em Moçambique significa ser uma pessoa que continua a buscar possíveis oportunidades de negócios e a tomar decisões que objectivam a inovação.

Para a nossa entrevistada  o empreendedorismo envolve não só a prossecução de uma ideia ou oportunidade para a sobrevivência mas também a questão de inovação, isto é, a capacidade de criar algo novo na sociedade, como também a de, a partir de uma oportunidade, criar uma empresa, mesmo correndo sempre os riscos próprios de quem quer empreender.