Localizado no interior das avenidas Filipe Samuel Magaia, Eduardo Mondlane, Maguiguana e Karl Marx, o segundo mais antigo cemitério da então cidade  de Lourenço Marques (Maputo) está um oásis no deserto.

Conta a história que aquele lugar era dedicado, no tempo colonial, à pratica da agricultura, mas depois que ficou lotado o primeiro cemitério que se designava São Timóteo, local onde hoje funciona o banco terra na capital do país, negociou-se aquele espaço com o dono de nome Xavier, com vista a acomodar um novo cemitério, dai que foi baptizado com o nome de São Francisco Xavier.

São Francisco Xavier foi fundado no ano de 1886, dividido em duas alas, uma na face frontal da avenida Karl Marx, especialmente para os portugueses e seus militantes e a outra do lado da avenida Filipe Samuel Magaia, destinado aos assimilados indígenas que só por meio de um requerimento diferido pelo presidente da câmara municipal era possível fazer-se o funeral.

O cemitério foi encerrado no ano de 1957 devido à super lotação. Hoje, o motivo principal não seria esse, mas sim a localização… há mais gente vivendo nos arredores, há mais fluxo populacional não respondendo o conceito que se tem de cemitério (longe das zonas habitacionais) nestas condições.

Segundo o responsável da área de serviço do cemitério, Afonso Malecuiane, o cemitério tem neste momento espaço para novos corpos mas o mesmo situa-se no coração da cidade.

Por outro lado Malecuiane denuncia os actos de vandalismo que têm ocorrido no cemitério e que por conta disso tem-se espalhado as ossadas ao relento.

Neste momento, estão afectadas para a limpeza do cemitério duas senhoras que por sinal não mais estão em idade economicamente activa, daí que não conseguem cobrir na totalidade  o exercício a que foram incumbidas.

Entretanto, o cemitério são Francisco Xavier, para além de abrigar pessoas em vida, tornou-se um centro de criminalidade.

Os vândalos retiraram dos jazigos toda ossada transformando-os em dormitórios, facto que o município viu-se obrigado a intervir, re-enterrando os restos mortais.

Eis que, independentemente da hora, tornou-se perigosa a caminhada por aquela área da urbe, tanto para os peões como para os automobilistas. Crimes diversificados são executados dentro do cemitério, a contar que mesmo do lado de fora do cemitério está a paragem dos semi-colectivos com destino à Baixa-Praça dos combatentes.

Nas noites, os ladroes fazem-se passar por fantasmas para  se aproveitarem do medo das pessoas e subtrair seus pertences e até pegar em mulheres para sexualmente violar.

Há relatos segundo os quais dentro do cemitério estão instaladas famílias, que o têm assim mesmo, degradado, como o seu habitat. ou seja, pessoas vivas convivendo com ossadas e campas abertas, no “lar” dos mortos.

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