O movimento dos transportes interprovinciais, neste momento eminente à quadra festiva, tem ainda um registo muito baixo, comparativamente ao igual período do ano passado, em termos de afluência dos trans-­utentes na Terminal Rodoviária da Junta, na cidade de Maputo.

Este facto deve-se a vários factores, dentre os quais, segundo Inês Mindo, gestora daquela terminal rodoviária, o principal é o fraco fluxo de trans-utentes nas fronteiras de Moçambique, principalmente na fronteira de Ressano Garcia.

“Em relação à quadra festiva, o movimento nas fronteiras ainda está aquém das expectativas. O nosso momento de pico regista-se simultaneamente ao momento auge de Ressano Garcia. A partir do momento que que temos um fluxo elevado na fronteira, consequentemente o fluxo de trans-utentes eleva-se na terminal da Junta”, afirmou Inês Mindo.

A gestora referiu ainda que este movimento que ora se regista é normal. Aliás, é tão comum que os serviços rodoviários inter-provinciais estão divididos em dois momentos.

“Nós temos uma época baixa e uma época alta. Na época baixa, alguns condutores nem chegam a transportar passageiros. Temos como época alta a quadra festiva, os primeiros dias do mês de Janeiro e os feriados. Fora essas alturas, temos um registo médio na terminal, ou seja, um total de 10 passageiros em autocarros com capacidade para 60 a 65 lugares”, explicou.

Inês Mindo revelou que o período da instabilidade político-militar, que se assistiu no país, no final de 2013 e veio a intensificar-se em 2014, não alterou em nada o movimento rodoviário, pelo menos para os transportadores assentes naquela terminal.

“Nesse momento, o movimento esteve no seu fluxo normal. A única coisa que marcou uma diferença relevante foi que, por exemplo para a zona norte, em vez de termos uma carreira com 10 passageiros, tínhamos uma com seis a oito passageiros. Portanto, registou-se uma ligeira baixa, mas os transportadores continuaram a fazer a carreira normal, sendo que a estatística veio a demonstrar que o número de veículos que saíam naquela altura era o mesmo que se movimentava no ano passado”, disse.

Mesmo com as baixas registadas  nos últimos dias, Inês Mindo mostrou-se optimista e realçou que as coisas ainda vão a tempo de melhorar, até ao fim do ano.

“Para o final do ano esperamos um movimento intenso, pois é o que estamos habituados. Entre os dias 18 e 23 de Dezembro, temos registado um fluxo muito elevado, segue-se o período pós natal até ao dia 28, em que o movimento volta a intensificar-se”, frisou.

Alguns transportadores confirmaram as informações prestadas pela gestora da terminal, sublinhando que o transporte público, sobretudo o inter-provincial, é uma actividade muito instável e que deve ser encarada com muita calma e paciência.

“O movimento está fraco ainda, mas logo vai tomar uma dinâmica animadora. Nesta altura, muitos trans-utentes, nesta época compostos maioritariamente por estudantes, ainda estão a realizar exames da 2ª época ou de recorrência”, disse Armando Manroe, transportador da rota Maputo-Gurué, acrescentando que à medida que os dias passam e aproximam-se do natal, a situação vem melhorando.

“O fluxo tende a aumentar, gradualmente, e esperamos que nos próximos dias tenhamos um acréscimo relevante, na ordem dos 30 por cento”.

Por seu turno, Mateus Zazana, que faz o trajecto Maputo-Beira, referiu que a falta de passageiros não o incomoda, uma vez que a actividade de transportes oferece várias alternativas.

“Nós conseguimos garantir os gastos da viagem e um possível lucro por via de transporte de mercadorias. Como é sabido, uma das nossas missões é levar mercadoria da região Sul para a região Centro e Norte do país e vice-versa. Isso é o nosso suporte no sustento do trajecto nessas alturas”, frisou Zazana.

A palavra de ordem, principalmente na quadra festiva, tanto da parte da gestão, bem como ao nível dos transportadores, é que se conduza com prudência e que se chegue ao destino, mediante a cautela observada na estrada.