Matéria-prima abundante, de renovação natural e multiplicidade de aplicações, constitui o principal atractivo para Augusto Luís Macandze e sua família no empreendedorismo baseado na confecção de produtos derivados de palha.

Trata-se de um grupo de jovens que se deslocou de Inhambane para Maputo, em busca de melhores condições de vida e o destino reservara para eles a criação de uma mini associação de artesãos, que pode ser encontrada ao longo da avenida da Zâmbia, na intersecção com a 24 de Julho, na zona da Versalhes.

“Vim para a capital a procura de emprego e cheguei a trabalhar na secção de carpintaria, numa empresa de construção civil. Findo o contrato, não consegui outro emprego até que me juntei ao meu irmão mais novo nesta arte”, explica Augusto Macandze, mestre dos artesãos.

Com o passar do tempo, os dois irmãos viram necessidade de alargar a equipa para atender a demanda que crescia dia após dia e, numa primeira fase, ensinaram o artesanato a um grupo de amigos que fizeram em Maputo.

“Demos continuidade com um grupo de amigos, mas acabamos percebendo que esta sustentabilidade seria a curto prazo, uma vez que, à medida que ganhavam experiência, estes abandonavam-nos e faziam conta própria”.

Foi então que os irmãos Macandze decidiram chamar os seus sobrinhos de Inhambane para se juntarem à equipa e transformarem aquela arte num negócio de família.

“Trouxemos cinco sobrinhos que também estavam desempregados e ensinamos a trabalhar com palha. Agora somos uma associação familiar e capitalizamos todos os recursos para auto-sustentar-nos e ajudar aos membros da família que estão na nossa terra natal”.

Nesta época festiva que se aproxima, esta associação já tem parcerias com algumas empresas que produzem e comercializam cabazes de natal. Cabe-lhes a missão de fornecer cestos e objectos de decoração natalícia.

Concorrência Desleal

“Por vezes faltam clientes, mas nestes doze anos no mercado já temos aqueles que consideramos clientes da casa e requisitam os nossos serviços principalmente na época das festividades”, frisou o mestre Macandze e acrescentou que “o negócio é rentável, mas a concorrência cresce a cada dia e por vezes é desleal. Sobretudo a concorrência chinesa que oferece produtos sofisticados e de produção tecnológica e não manual”.

Macandze diz que o seu público aprecia o preço oferecido por esta associação e por isso tem tendência a fidelizar-se. Por exemplo, o preço dos cestos por eles fabricados varia de 100 a 250.00Mt.

Estes artesãos fazem todo tipo de mobiliário e fornecem produtos como camas, sofás, poltronas, estantes, guarda-fatos, mesas e cadeiras.

“É o nosso contributo na luta contra a pobreza. Sabemos que o governo gostaria de poder criar empregos para todos os moçambicanos, mas como sabemos, isso é humanamente impossível. Nessa dificuldade de arranjar emprego, optamos pelo auto emprego e o nosso sonho é criar, construir infra-estruturas e fazer crescer o nosso negócio.”