Os vendedores de carvão do mercado Metical, na Província de Maputo, dizem estar agastado com as cobranças ilícitas feitas pelos fiscais da Fauna Bravia, membros da polícia de Trânsito e da polícia Camarária, em cada posto que estes executam as suas funções. Segundo afirmam, as cobranças podem atingir cerca de Dez mil Meticais (10.000) a Vinte mil Meticais (20.000), dependendo do valor cobrado por cada controlo.

No seu entender as cobranças feitas pelos fiscais, tantos pelos membros da Polícia não fazem nenhum sentido, uma vez que pagam o valor cobrado na licença por cada saco transportado, pois para chegarem ao local de venda passam por vários postos de controlo, onde são cobrados valores avultados para conseguirem passar até ao mercado no qual vão comercializar o produto.

“São cobranças ilícitas e não compreensíveis porque nós pagámos todo o valor cobrado na licença por cada saco, mas os fiscais e os membros da polícia que, estão afectos nos controles nos obrigam a pagar valores elevados. Quando perguntamos porque é que nos cobram, eles dizem que não podemos questionar ou caso contrário, penhoram o carro e carvão”, explicou Manucha José, vendedora a três anos, que na ocasião disse o preço pode variar de acordo com o controlo.

A nossa inter-locutora afirmou ainda que, as reclamações prestadas são ignoradas pelos membros policiais e fiscais, alegando os problemas que o carro apresenta, ora, porque esta muito carregado, ou porque não reúne condições necessárias para transportar o carvão, daí que nos obrigam a pagar cerca de 1.500 a 4.000 mil Meticais.

“Quando negamos pagar o valor cobrado, os agentes prendem o carro e mandam pagar multas acima do valor que gastamos na compra do produto e o dinheiro que o proprietário despendeu para adquirir o carro, como forma de nos obrigar a ter que obedecer normas não existentes, mas sim, actos que estão associados a corrupção”, avançou Manucha.

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O valor cobrado para aquisição de licença varia de acordo com o número de sacos. Uma licença em que o comerciante paga cerca de 18 mil Meticais, pode subir se juntado com o valor ilícito cobrado que chega atingir cerca de 20 mil Meticais, chegando atingir cerca de 38 mil Meticais o que corresponde ao dobro do valor. Portanto, os vendedores dizem que, mediante esta prática  ficam sem lucros para poder cuidar da sua vida, uma vez despendido todo o dinheiro com os membros da fiscalização, de transporte e carga.

Para transportar carvão desde o local de compra até a venda são somas avultadas, que os comerciantes gastam. O produto comercializado, vem de diferentes pontos do país, com destaque para o distrito de Mabote e de Manhiquene na Província de Inhambane. Segundo dão a entender, para transportar um saco podem despender cerca de 500 meticais, resultantes de pagamento de 300 meticais por saco e mais 200 meticais no pagamento de pessoas que concluem o resto do trabalho.

Wilson Armélio, que vende a 1 ano avançou que os problemas que enfrentam para transportar o produto até ao mercado são enormes. Para ele, os fiscais devem trabalhar para ajudar e não para desgraçar.

“A cada dia que passa enfrentamos tremendas dificuldades para transportar o produto que comercializamos  para sobreviver, porque existem os de mais, aqueles que são donos da estrada e dos controles que, vem nos atazanar a vida. Os fiscais e os agentes policiais sempre que nos interpelam, cobram valores altos, alegando que não estamos legais para cumprir com as nossas actividades, ignoram completamente a licença que pagámos no Município e ameaçam parquear o carro e levar o carvão” desabafou Wilson Armélio.

Dentre transporte e venda do produto, os comerciantes clamam a quem é de direito para minimizar a situação que vem assolando o seu negócio. As cobranças ilícitas, apenas aterrorizam o seu negócio e para com as suas vendas.