O negócio informal ganha espaço em Moçambique, sobretudo nas capitais provinciais, onde muitos cidadãos cansados do desemprego optam pelo mercado empreendedor para fazer o seu ganha-pão para custear as suas famílias.

De acordo com dados em poder do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFP), instituição tutelada ao Ministério do Trabalho (MITRAB), previa-se que até ao findar deste ano, a taxa de desemprego em Moçambique pode-se se localizar na escala de 14.8 por cento, correspondente a uma redução de 4,8 por cento em relação a 2011.

Tudo indica que em 2011, a taxa de desemprego situava-se na onda de 18 por cento. Esta redução deve-se pelo facto de ter-se registado o aumento de investimentos e do bom desempenho da economia moçambicana, sobretudo, pela criação de megas projectos, onde entre o período de 2005/2013, foram criados perto de 2.200 novos empregos.

Mesmo com o crescimento de investimentos no país, e instalação de grandes projectos como a Vale, Anadarko, Áreas pesadas de Moma, ENI, ENH, Mozal, entre outros, o mercado de emprego ainda continua “renhido”, visto que o número de cidadãos desempregados é maior relativamente aos postos de empregos existentes no mercado.

Face a esta problemática, a MMO, saiu a rua para interagir com a população afectada pela causa, onde foram encontradas diversas circunstâncias nomeadamente, a falta de formação, oportunidades, influências, etc.

História da mamã Carolina

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Carolina Chirinze, vendedora de sandes e diversos. Ela tem 43 anos de idade, começou a fazer a sua actividade em 1981, quando acabava de ter o seu primeiro filho. Cansada de tanto estar em casa sem fazer nada, desempregada, mas com muitas despesas para cuidar do filho que acaba de nascer, decidiu começar um negócio para ajudar o seu marido que também naquela altura estava desempregado, apenas vivendo de pequenos biscatos.

Entretanto, a mama Carolina, ainda residente no bairro de Hulene, algures da cidade capital, Maputo, vendia pão e pasteis de feijão, vulgarmente conhecidos por (badjia), e ganhava um pequeno trocado, mas conseguia apoiar o seu marido.

Com o andar de tempo, em 2006, o negócio começou a atingir proporções positivas, tendo mudado de bairro mais tarde, para Xipanine, onde continuou com o negócio de venda de pão e badjia, e vida sorriu aos poucos, onde desde o mesmo ano até ao momento, começou a vender sandes diversas para largas massas.

“Gosto muito do meu trabalho, é com ele que cresci e criei os meus filhos, hoje tenho sete filhos, o mais velho tem 33 anos, vive na África do Sul e coincide com o negócio de sua mãe, mas tudo isso graças a venda de pão, consegui fazer crescer a ele e outros”, desabafou Carolina Chirinze.

Com a venda de pão, a mulher empreendedora, conseguiu adquirir o seu terreno e neste momento, está preste a construir, esta que vai ser a segunda das suas casas. Com o seu negócio consegue fazer estudar os seus filhos.

Para além de ajudar a sua família, o seu negócio, criou postos de trabalho, onde muitos destes são ocupados pelos seus filhos.

Questionada pela MMO, qual o seu sonho, esta disse que no momento está preocupada com as suas obras de construção da casa dos seus sonhos, mas com tempo, almeja criar uma pastelaria, isto se as condições lhe permitirem.