Orçada em cerca de 250 milhões de dólares americanos, a nova Central Térmica de Ressano Garcia (CTRG), que por sinal é a maior do país, alimentada por gás natural, entrou em funcionamento na última quinta feira (28).

Trata se de um empreendimento público -privado, com a participação da Electricidade de Moçambique (EDM), que detém 51 por cento das acções e a Sasol New Energy da África do Sul, com os restantes 49 por cento.

O empreendimento passou a disponibilizar a partir desta quinta-feira 175 megawats (MW) para o mercado nacional de energia, sendo o principal beneficiário, numa primeira fase, a região sul, em particular a cidade e a província de Maputo, onde serão destinados 23 por cento da capacidade total de produção de energia da central térmica.

A nova infra-estrutura será suportada por 18 máquinas, das quais, seis já se encontram em funcionamento.

Estima-se que a CTRG venha a suprir em mais de 40 por cento as necessidades energéticas dos consumidores nacionais e permitir a canalização da energia produzida na Hidroeléctrica de Cahora Bassa, para as regiões centro e norte do país.

Falando no acto, o Ministro da Energia, Salvador Namburete, garantiu que a energia produzida pela central termo-eléctrica a gás destina-se na sua totalidade ao mercado moçambicano, constituindo dessa forma “um marco importante para o desenvolvimento do sector de Energia do país”.

“A CTRG, com uma capacidade instalada de 175MW, é a primeira infra-estrutura de produção de energia firme, construída no país após a proclamação da nossa independência e cuja alocação destina-se na sua totalidade para o consumo em Moçambique”, disse Namburete.

O titular da pasta de Energia explicou que “a CTRG é um projecto com um percurso longo que começa em Temane, passa por Chóckwè, mais tarde é transferido para Moamba para finalmente nascer neste posto administrativo de Ressano Garcia, um local que é já um centro de produção de energia de referência em Moçambique e na região da SADC”.

Localizada no distrito da Moamba, a CTRG é uma infra-estrutura definitiva que vai produzir energia durante os próximos 25 anos, sendo que a sua operacionalidade será garantida em 97 por cento por técnicos moçambicanos a partir do quarto ano.

Referir que o estadista moçambicano, Armando Guebuza, quem inaugurou o empreendimento, enalteceu a iniciativa conjunta da empresa moçambicana EDM e da sul-africana Sasol, tendo destacado que o projecto representa o exemplo do aproveitamento local de recursos naturais de modo a acrescentar valor e promover o desenvolvimento social e económico de Moçambique.

Armando Guebuza referiu que o uso de gás natural para a produção de energia eléctrica marca o início de uma nova era no desenvolvimento do sector da Energia, uma área para a qual uma matriz energética diversificada e equilibrada deve constituir a base de orientação na elaboração dos planos e definição de projectos prioritários neste domínio.

“Importa-nos, no entanto, assegurar que a este aumento de disponibilidade de energia se associem a fiabilidade e a qualidade da energia fornecida aos consumidores. Tendo em conta que a fiabilidade e a qualidade da energia fornecida não dependem apenas da eficiência na produção, é importante garantir o melhor desempenho das demais infra-estruturas associadas designadamente a nível de transporte e distribuição de energia através de investimento e manutenção “, reiterou Guebuza.

Por seu turno, o Presidente do Conselho de Administração da EDM, Augusto de Sousa Fernando, destacou que o novo motor energético é uma fonte de diversificação e alternativa para Moçambique aos poucos recursos de fornecimento de energia.

“Cerca de 99 por cento da energia que nós consumimos é oriunda de fontes hídricas, dos quais 94 por cento é oriunda da HCB, ou seja, o país depende de uma única fonte de energia, o que é um risco muito elevado no que se refere a segurança do fornecimento de energia. Com a entrada da CTRG este cenário mudar-se-á, melhorando aquilo que é a qualidade do fornecimento de energia para o país”, ressaltou Augusto Fernando.

Augusto Fernando explicou alguns benefícios que o país terá com a entrada em funcionamento da nova unidade de produção eléctrica como por exemplo “minimizar aquilo que é a dependência de terceiros no fornecimento de energia para o país, fundamentalmente para a região sul; criação de uma fonte alternativa para a região sul; criação de uma linha nova para melhorar a qualidade de energia fornecida às províncias de Gaza e Inhambane”.

 A EDM co-participou na estrutura accionista do projecto com 42,5 milhões de dólares, valor financiado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).