A Polícia da República de Moçambique é acusada de ter impedido, na terça-feira, uma marcha de camponeses que protestavam contra a perda das suas machambas a favor do projecto “Wambao Agriculture”, na baixa do rio Limpopo, província de Gaza. A marcha só aconteceu duas horas depois e o itinerário foi desviado pelos agentes da Polícia.

Gizela Zunguze, da “Justiça Ambiental”, disse que mais de 80 mil pessoas perderam os seus campos agrícolas desde a implementação deste projecto em 2012.

“Os camponeses não foram indemnizados e a maior parte perdeu culturas em fase de maturação. Submetemos uma carta, há oito dias, ao Conselho Municipal de Xai-Xai e ao Comando Provincial da PRM em Gaza, mas a PRM e a Polícia municipal inviabilizaram a nossa marcha”, disse Gizela.

Segundo Zunguze, os camponeses afectados pelo projecto “Wambao Agriculture” protestam contra as actuais condições a que estão submetidos, nomeadamente o facto de não terem sido consultados durante o processo que culminou com a usurpação das suas terras – onde produzem há mais de 30 anos e das quais dependem para viver – a favor da “Wambao”.

“Hoje [ontem] a Polícia está a impedir a marcha, e o director da FONGA foi chamado pelo Comandante da Polícia, não se sabe para quê. Segundo a lei, todo o cidadão tem o direito de manifestação, e a carta de informação ao Conselho Municipal e ao Comando de Xai-Xai seguiu há oito dias, enquanto que a lei prevê quatro dias”, disse Gizela Zunguze.

A marcha de protesto contra a violação dos direitos dos camponeses foi organizada pela “Justiça Ambiental” em parceria com a “Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU), o Centro de Integridade Pública (CIP), o Fórum das Organizações Nacionais de Gaza (FONGA), a Liga dos Direitos Humanos (LDH) e a União Nacional dos Camponeses (UNAC).