Sociedade Energia a conta gotas

Energia a conta gotas

Os bairros das cidades de Maputo e Matola estão, de há algumas semanas a esta parte, sob frequentes cortes de energia, fenómeno que tende a piorar cada dia que passa.

Quase que todos os dias, várias zonas das duas cidades têm sido abaladas por cortes frequentes, tanto de dia como à noite, criando transtornos aos cidadãos que ficam privados de realizar determinadas actividades, para além de episódios de destruição de electrodomésticos.

Esta semana, os cortes mais graves aconteceram na terça e quarta-feira, dias em que se assistiram a interrupções no fornecimento de energia não só frequentes como também prolongados.

A Electricidade de Moçambique (EDM) disse que a situação de quarta-feira que deixou partes da capital às escuras se deveu à queda de um cabo de guarda em duas linhas de alta tensão que entram no centro da urbe a partir da subestação de Infulene.

César Alfane, director de Transporte na EDM, disse ter havido demora na reposição porque as equipas tiveram de enfrentar o congestionamento do tráfego para chegar à zona da Maquinag, onde ocorreu o problema.

Dada a complexidade do trabalho, a alimentação da capital foi feita através de vias alternativas. Resolvido o problema, ontem voltou-se a usar as linhas já reparadas, o que ditou os cortes registados.

Por sua vez, Neves Xavier, director da EDM na capital, disse que os cortes que se registaram durante o final de semana na Vila Olímpica do Zimpeto e arredores deveram-se a problemas na linha de transporte que abastece a zona. Por terem coincidido com a avaria na rede de alta tensão, os constrangimentos só foram resolvidos na segunda-feira.

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Há dias, residentes de diferentes bairros do Município da Matola queixaram-se da má qualidade da energia que chega às suas casas, caracterizada, fundamentalmente, por oscilações e cortes, sobretudo à noite.

Ivone Mabote, residente no quarteirão 19 do bairro de Ndlavela, perto da subestação de Infulene, disse que dantes os cortes no fornecimento da corrente aconteciam mais entre as 18.00 e as 19.30 horas, mas actualmente se registam a qualquer parte do dia.

Queixas similares foram ouvidas nos bairros Nkobe e Khongolote (no Município da Matola) e Matendene (na capital), sendo que quase todos os entrevistados apelaram à Electricidade de Moçambique (EDM) para melhorar o serviço prestado.

Duarte Inhalo, director da EDM na província de Maputo, disse que há consciência da baixa qualidade da corrente fornecida. Justificou que o problema se deve ao crescimento fora do normal que a área regista. Garantiu, sem entrar em detalhes, que há projectos para a melhoria do serviço.

Tranquilizou os utentes, afirmando que as obras de melhoria vão arrancar dentro de algum tempo.

Além do reforço, os trabalhos prevêem a expansão da rede, o que significa aumentar o número de famílias ligadas à rede nacional de energia eléctrica, de acordo com o nosso interlocutor.

Entre os bairros a beneficiarem de trabalhos de extensão e reforço da rede constam Intaka, Muhalazi, Tchumene I e II, Mulotane, Liberdade, Khongolote, Nkobe e Bedene, num investimento de cerca de 140 milhões de meticais provenientes dos cofres da própria EDM.

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