Só este ano, as cheias e inundações que se abateram sobre o país, no primeiro trimestre, tiveram impactos severos na economia moçambicana, tendo causado a morte de centenas de pessoas e destruído grande parte das infra-estruturas sociais e económicas, com maior destaque para as províncias de Gaza e Zambézia.

Dados oficiais indicam ainda que só este ano pelo menos 13 por cento das estradas do país terão sido destruídas devido às chuvas.

É tendo em conta esta realidade que desde ontem um grupo de mais de 50 jovens está a ter a oportunidade de resolver alguns dos problemas associados aos desastres naturais em Moçambique.

O evento, denominado “Hackathon”, é organizado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e conta com o apoio da Finlândia e a Suécia, em Maputo, com um prémio de 80 mil meticais para o grupo vencedor.

Um Hackathon é uma maratona de programação onde, por três dias, os participantes vão criar novas aplicações para telefones móveis, desta vez em colaboração com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

O objectivo é que as novas aplicações móveis possam ajudar o INGC a recolher informações das áreas afectadas pelos desastres, divulgando informações às pessoas afectadas ou assistir nos sistemas próprios de informação do INGC.

Esta instituição será apresentada no evento para discutir com os participantes as necessidades que existem em Moçambique hoje em dia.

Durante o evento os participantes vão também ter uma formação especial sobre como desenvolver aplicativos para Android, um dos sistemas operacionais mais utilizados para telefones celulares em todo o mundo.

Além disso, estarão presentes especialistas que vão ensinar os participantes como criar uma empresa baseada em novas aplicações. Há grandes possibilidades económicas no âmbito das aplicações móveis dado que o uso deles é cada vez maior, tanto em Moçambique como no resto do mundo. Dentre as pessoas que estão a participar no evento que decorrerá até amanhã no Maputo Living Lab, estão Diana João Matsinhe e Américo Oldemiro Baloi, ambos de 20 anos, residentes na capital do país.

Para Diana, esta é a primeira vez que participa num Hackathon, enquanto Oldemiro teve a oportunidade de estar presente no primeiro Hackathon realizado no país em Março último. Ambos estudam engenharia informática e programação em Maputo.

Eles acham muito importante o desenvolvimento das novas aplicações moçambicanas que podem ajudar a população de Moçambique mitigar os impactos dos desastres naturais graves.

“Uma ideia que temos é garantir que a população rural possa obter informações rápidas sobre quando as chuvas atingem a zona onde vivem. Assim, eles podem por exemplo fazer a colheita antes que os campos fiquem completamente inundados”, diz Diana João Matsinhe.

O objectivo da iniciativa é oferecer oportunidades para os jovens em Moçambique para tirar proveito das novas tecnologias e criar novas empresas que têm um impacto positivo na sociedade. Um outro efeito positivo e que podem proporcionar empregos para outros. Américo Oldemiro Baloi diz que o seu objectivo é criar o seu próprio negócio.

“Eu quero vender os meus próprios programas no futuro, com o meu próprio negócio. Não é fácil em Moçambique; algumas empresas estrangeiras não confiam nos moçambicanos como tendo habilidades certas. Mas vamos criar coisas sempre melhores para mostrar que nós somos realmente capazes de ser líderes também neste âmbito”, explica Américo Oldemiro Baloi.

Os organizadores esperam que mais de 50 pessoas participem. A participação é gratuita e a equipa vencedora ganha até 80 mil meticais, o segundo prémio é de 40 mil e terceiro prémio é de 20 mil meticais.
A palavra Hackathon é uma mistura da palavra inglês “hack” e “maratona” onde “hack” não representa quaisquer actividades ilegais, como invadir o computador de alguém, mas significa programação lúdica e estimulante.

O conceito do Hackathon decorre do início do milénio e tem sido muito popular tanto nos Estados Unidos, Europa, bem como no Brasil. O primeiro Hackathon de Moçambique foi organizado em Março deste ano e o Ministério da Ciência e Tecnologia planeia organizar pelo menos mais uma edição ainda neste ano.

O evento é uma colaboração entre o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o Programa de Apoio à Inovação na África Austral (SAIS), a Embaixada da República da Finlândia, a Embaixada do Reino da Suécia, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) e o Instituto de Tecnologia da Comunicação e Informação de Moçambique (MICTI).

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