O chefe daquele posto administrativo, Leonardo Manuel, disse há dias que as estradas que ligam a sede do posto aos povoados de Wiliamo e Samoa-Gunda, áreas potenciais em termos de produção agro-pecuária ao nível do distrito de Moatize, estão praticamente intransitáveis o que influencia, negativamente, para a circulação de pessoas e bens.

“Na estrada Samoa-Gunda não temos uma ponte sobre o rio Ncondedzi onde, para atravessarmos, temos que abandonar os veículos e passar a pé, quer no tempo seco como chuvoso, porque o rio tem água permanente e é atravessado de pedregulhos” – referiu Leonardo Manuel.

Aquele dirigente apontou ainda que, devido à falta de estradas, os poucos produtos agrícolas excedentes de produção dos camponeses são transportados à cabeça até a zona mais próxima da Estrada Nacional nº7 e vendidos a preços altos na sede do posto e nas localidades por onde passa a rodovia que atravessa aquela região do corredor de Tete.

O chefe do Posto Administrativo de Zóbuè disse, no entanto, que em relação a outras rodovias que ligam a sede do posto a outras localidades, as autoridades locais, em parceria com os líderes comunitários, têm mobilizado as comunidades para a limpeza e reparação manual das estradas terciárias, para permitir a transitabilidade de veículos para o escoamento de produtos agrícolas dos campos de produção até às residências e centros comerciais.

“Com a colaboração dos líderes comunitários e a população estamos a realizar aquilo que podemos executar até ao nosso nível em termos de reparação e manutenção das estradas, o que nos permite a assistência regular à população” – explicou Leonardo Manuel.

Tete - Estado das vias entala comercialização agrícola no Zobuè

O Posto Administrativo de Zóbuè tem, igualmente, problemas de escassez de fontes de abastecimento de água potável, principalmente na região sul onde não existem grandes cursos hídricos uma vez que, actualmente, funcionam apenas 82 das 92 fontes instaladas um pouco por aquela região nortenha do distrito de Moatize.

“É verdade que o nosso posto localiza-se numa zona onde não temos falta de chuva, mas em algumas regiões não temos água potável, o que propicia o surgimento de casos de doenças diarreicas originadas pelo consumo de água imprópria” – disse a nossa fonte.

Sobre a convivência entre as comunidades locais com as vizinhas do Malawi, Leonardo Manuel apontou haver um melhoramento do ambiente nos últimos dois anos, situação que se traduz num relacionamento amigável e de boa vizinhança.

“Estamos, paulatinamente, a encontrar bons métodos de relacionamento com os nossos vizinhos do Malawi. Temos um calendário de encontros frequentes entre nós, como governo do Zóbuè, e os vizinhos de Mwanza, localidade de Malawi que faz fronteira com o nosso país, onde fazemos a radiografia do nosso dia-a-dia” – afirmou Leonardo Manuel.

Com a expansão do hospital rural de Zóbuè e a introdução de novos serviços e afectação de pessoal técnico qualificado, segundo Leonardo Manuel, reduziu, nos últimos tempos, a dependência dos cidadãos em relação ao Malawi em termos de assistência médica e medicamentosa.

A fonte disse que com o apetrechamento das unidades sanitárias ao longo da faixa fronteiriça, em particular em Zóbuè, com pessoal especializado e meios materiais à altura, está sendo ultrapassada a situação de humilhação a que o cidadão moçambicano era submetido pelo pessoal da Saúde do país vizinho.

“Hoje e diariamente estamos a receber, no nosso hospital aqui, no Zóbuè, cidadãos malawianos à procura da nossa assistência médica e medicamentosa e, depois de tratados, saem satisfeitos motivados pela maneira como são assistidos e tratados pelo pessoal moçambicano” – considerou Leonardo Manuel.