Sociedade Um ano depois da morte de Kadhafi: Líbia ainda longe da paz

Um ano depois da morte de Kadhafi: Líbia ainda longe da paz

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Um ano depois da morte de Muammar Kadhafi e do anúncio da libertação da Líbia, o país ainda está no ponto morto político, económico e de segurança, e a transição está praticamente bloqueada. A constatação é do presidente do Parlamento líbio.

Num discurso na sexta-feira, na TV, Mohamed Yusuf al-Magariaf usou as palavras “atraso”, “insatisfação”, “caos”, “desordem” e até mesmo “corrupção” para descrever a situação que vive o seu país. Apontou como grande desafio a segurança, realçando que a ausência de um Exército, da polícia e do controlo de armas é uma “negligência”.

No país há ainda milícias fortemente armadas que, embora as autoridades digam que estão filiadas às forças regulares, continuam a impor a sua lei em muitos lugares. A insegurança reina em várias cidades e os assassinatos são frequentes especialmente em Benghazi, bastião da rebelião. Um dos piores episódios foi o atentado do último dia 11 de Setembro contra a embaixada dos Estados Unidos em Benghazi, no qual morreu o embaixador, Christopher Steven, e outros três funcionários americanos. Outra pedra na roda da estabilidade e da preservação da segurança da Líbia é Bani Walid, último bastião do antigo governo, ainda refúgio de centenas de partidários de Kadhafi.

Esta cidade, situada a sudeste da capital, totalmente fora do controlo das novas autoridades, está sitiada há quase duas semanas. Violentos confrontos aconteceram nos últimos dias, com o saldo de vários mortos e feridos.

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No plano político, as dificuldades são maiores, e a paralisação da administração pública tem um impacto negativo na vida quotidiana da população. Se deseja obter a confiança do Parlamento, o novo primeiro-ministro, Ali Zidan, necessitará conseguir um equilíbrio perfeito entre as diferentes forças e regiões.

A Rádio Moçambique citou ontem Mohamed Zin al-Abidin, membro do antigo Conselho Nacional de Transição (CNT), braço político da rebelião durante a revolução, a criticar a situação no seu país e a defender a aplicação de um “governo forte” para pôr a Líbia em andamento. Al-Berasi Mohamed Aisa, um líder da rebelião na cidade de Benghazi, acredita, segundo a RM, que a segurança e a paz que tanto desejam os líbios estão distantes. “Os líbios querem uma vida digna e livre, a democracia e um Estado moderno com instituições fortes, mas infelizmente um grupo de oportunistas se opõe aos objectivos da nossa nobre revolução”, lamentou.

Por sua vez, a professora Mehasen Bashir questionou a ausência de uma festa para celebrar o primeiro aniversário da libertação da Líbia, no sábado passado dia 20, comentando que os seus compatriotas ainda estão à espera para desfrutar os frutos dos sacrifícios que fizeram durante a revolução.

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