A província de Manica, situada na região centro de Moçambique, enfrenta uma alarmante perda anual de 35 mil hectares de floresta nativa e exótica, resultado de queimadas descontroladas.
Os distritos de Guro e Changara, localizados na parte norte da província, são os principais focos desse problema, que acarreta consequências severas para a produção agrícola local.
Diante desta situação crítica, os governos de Moçambique e Itália, em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), lançaram um projecto destinado à conservação da floresta do Miombo, abrangendo áreas fronteiriças entre Moçambique e Zimbabué. Esta iniciativa decorre do Protocolo de Maputo, que visa mitigar os impactos ambientais e melhorar a sustentabilidade na região.
O foco do projecto em Moçambique inclui os distritos de Machaze, Mossurize, Báruè e Guro. As acções planeiadas englobam a elaboração de protocolos para regular o movimento transfronteiriço de produtos florestais, tanto madeireiros como não madeireiros, além de promover a conservação da floresta do Miombo.
Em termos de conservação, a estratégia inclui a criação de alternativas de geração de renda para as comunidades locais. A apicultura, o cultivo e a produção de café em áreas florestais, bem como a plantação de cajueiros, fazem parte das iniciativas propostas. Ao mesmo tempo, é promovida a mobilização comunitária para a prevenção de queimadas descontroladas, com o objectivo de sensibilizar a população sobre os danos que essas práticas acarretem.
Até ao momento, foram formados 80 dos 100 membros da comunidade previstos, com um destaque para a participação activa de mulheres e representantes das comunidades residentes nas coutadas 13, em Macossa, e coutada 9, em Guro. Essas acções têm como meta retirar Manica da lista das três províncias moçambicanas com as maiores perdas florestais devido a queimadas descontroladas, conforme indicam os dados mais recentes sobre desmatamento no país, divulgados pelo jornal Domingo.














