A crescente acumulação de plásticos e resíduos domésticos no mar está a colocar em risco os ecossistemas marinhos e a comprometer a qualidade da água, impactando directamente a actividade pesqueira.
A alerta é de investigadores, tanto a nível nacional como internacional, que têm sublinhado a urgência de uma mudança de atitudes e comportamentos, dada a ameaça que o descarte inadequado de resíduos representa para a saúde pública e o meio ambiente.
Em conversas com pescadores e vendedores de peixe na cidade de Maputo, a redução significativa na captura de peixe nos últimos anos foi uma preocupação comum. Muitos deles acreditam que a poluição marinha e os efeitos das mudanças climáticas estão a contribuir para esta diminuição alarmante.
Na praia da Costa do Sol, vários pescadores relatam a experiência de encontrar lixo, como garrafas plásticas e pratos descartáveis, quando lançam as suas redes ao mar. Maurício Cumbane, um pescador com 37 anos de experiência, expressou a sua preocupação em relação às alterações que tem observado no mar nos últimos tempos. “Antes, apanhávamos peixe e camarão nas proximidades, mas agora somos obrigados a ir até ao alto-mar, o que aumenta os nossos custos”, afirma.
Cumbane destaca ainda que, para espécies como o “magumba” e o camarão, antigamente conseguia capturar até dez caixas de peixe, porém, actualmente, as redes trazem frequentementente mais lixo do que pescado. Ao questionarmos o que fazem com os resíduos, Cumbane evidenciou a falta de infraestruturas adequadas: “Não existem recipientes apropriados para o lixo, por isso acabamos por deixá-lo no mar. Quando a água está muito turva, preferimos não sair para o mar, pois isso representa um risco para a saúde”.
Ele também menciona que algumas zonas já foram abandonadas devido à grave poluição. Nos arredores da Ilha da Inhaca, por exemplo, existem locais onde é impossível lançar as redes por causa dos resíduos. Em 2023, a comunidade enfrentou uma situação crítica de escassez de peixe, uma vez que a pesca tornou-se insustentável.
A situação levanta preocupações sérias sobre o futuro da pesca em Maputo e os riscos que a poluição marinha representa para as comunidades que dependem deste recurso para a sua subsistência.
















