Sociedade Biodiversidade de Chimanimani em perigo devido à acção humana

Biodiversidade de Chimanimani em perigo devido à acção humana


O Parque Nacional de Chimanimani (PNC), situado no distrito de Sussundenga, na província de Manica, enfrenta uma grave ameaça à sua biodiversidade. A acção humana, aliada a factores naturais, compromete a sobrevivência de várias espécies de animais e plantas endémicas.

Durante a XIII Sessão Ordinária do Conselho de Representação do Estado, o administrador do PNC, Lionel Massicame, revelou que estão em risco espécies como elefantes-de-montanha, antílopes, a águia-marcial, pangolins, morcegos, borboletas e a ave Apalis chirindensis. A pressão exercida pelas actividades humanas, bem como os efeitos adversos das mudanças climáticas, têm contribuído para esta situação alarmante.

Massicame sublinhou que o parque abriga também diversas espécies de plantas endémicas, entre as quais se destacam Vernonia muelleri muelleri, Impatiens salpinx, Basananthe parvifolia e Promerops gurneyi. Com o censo da biodiversidade ainda a ser realizado, já foram identificadas cerca de 1.490 espécies, das quais 1.043 são animais e 447 pertencem à flora. Para algumas dessas espécies, as perspectivas de sobrevivência são sombrias se não forem implementadas medidas de conservação eficazes.

O responsável pelo parque destacou que nem todas as espécies estão em risco, assegurando que apenas algumas se encontram ameaçadas. Entre os principais factores de perigo para a biodiversidade do PNC, Massicame citou a mineração, as queimadas descontroladas, a caça furtiva, a agricultura itinerante e os eventos extremos relacionados com as mudanças climáticas.

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Para mitigar estes efeitos negativos, a administração do parque tem reforçado as patrulhas de fiscalização, visando combater a caça furtiva e as queimadas. Além disso, estão a ser realizadas acções de sensibilização junto das comunidades residentes na zona tampão, promovendo práticas agrícolas e de mineração sustentáveis.

As autoridades moçambicanas e zimbabweanas trabalham em conjunto, uma vez que o parque se estende por ambos os países, assegurando que as iniciativas de conservação sejam coordenadas entre os dois Estados.

Criado sob o Decreto n.º 34/2003, o Parque Nacional de Chimanimani foi recategorizado pelo Decreto n.º 43/2020, com o intuito de salvar um habitat singular, caracterizado por uma elevada biodiversidade e significativo endemismo.

Este espaço protegido é fundamental para a preservação do Maciço de Chimanimani, onde nascem 44 cursos de água que sustentam vários rios na província de Manica e noutros locais do país. O Monte Binga, com 2.436 metros de altitude, representa o ponto mais elevado de Moçambique e confere ainda um valor histórico e cultural inestimável à região.

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