Um caso chocante de exploração de trabalho infantil e abandono de menores está a gerar uma onda de profunda indignação entre os residentes do bairro Coalane 2.
Quatro crianças, que haviam sido aliciadas a deixar o distrito do Derre sob a promessa de emprego doméstico, foram cruelmente deixadas à sua sorte pela proprietária da residência onde trabalhavam, permanecendo semanas consecutivas privadas de comida e sem qualquer assistência.
Segundo relatos dramáticos da vizinhança, a responsável pela habitação desapareceu do local há cerca de duas semanas, circulando a informação de que estaria supostamente internada numa unidade hospitalar.
Durante este período de ausência, os menores enfrentaram privações extremas e uma fome severa, chegando ao ponto de terem de recorrer a um funeral que ocorria nas redondezas para conseguirem obter alguma alimentação. Moradores locais relataram com tristeza ter visto as crianças desesperadas no quintal, tentando enganar o estômago a mastigar pedaços de cana-de-açúcar e papaia.
O cenário de abuso ganha contornos ainda mais graves com a denúncia de que a mulher utilizava os menores para fins lucrativos, como se de mercadoria se tratasse.
Segundo os testemunhos comunitários, a suspeita colocava as crianças à disposição para realizar trabalhos noutras habitações da zona, cobrando uma taxa de 450 meticais por cada menor. Sempre que os vizinhos tentavam contactar a proprietária por via telefónica para exigir esclarecimentos, a mulher desligava abruptamente a chamada assim que escutava a voz de uma das crianças, remetendo-se a um silêncio absoluto.
Perante o desespero e o clamor dos menores, que ontem decidiram pedir ajuda formal, as lideranças comunitárias de Coalane 2 foram forçadas a intervir directamente. Face à impossibilidade de localizar a patroa fugitiva, a estrutura do bairro optou por penhorar e vender alguns bens existentes no interior da residência.
Esta acção permitiu angariar a quantia de 1 500 meticais, valor que foi integralmente utilizado para custear as passagens de transporte, viabilizando o regresso seguro das quatro crianças às suas famílias no distrito do Derre. A comunidade exige agora uma acção enérgica por parte das autoridades policiais e judiciais para que a cidadã seja localizada e responsabilizada criminalmente.














