Sociedade Moradores de Maputo apresentam propostas para Diálogo Nacional Inclusivo

Moradores de Maputo apresentam propostas para Diálogo Nacional Inclusivo


Residentes do Bairro 25 de Junho, localizado no Distrito Municipal de Kamubucuane, participaram numa sessão pública promovida pela Comissão Técnica para a Materialização do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo (COTE). 

Durante a audição, foram apresentadas diversas propostas, destacando a necessidade de redução do número de deputados da Assembleia da República, limitação de mandatos e reforço da independência da justiça.

António Bila, um dos cidadãos presentes, defendeu que o número de deputados da Assembleia deveria ser reduzido de 250 para 150. Argumentou que a limitação de mandatos deve reflectir a realidade nas comunidades.

No que se refere à justiça, Bila propôs a criação de mais secções especializadas nos tribunais para acelerar o julgamento de casos relacionados com ilícitos eleitorais, além de sugerir a criminalização da autoproclamação de resultados eleitorais e a informatização do sistema eleitoral, com o intuito de reduzir conflitos e aumentar a transparência.

Por sua parte, Américo Rafael Mawai, outro residente, expressou preocupação com a transparência eleitoral e a independência da justiça em Moçambique. Mawai alertou que muitos cidadãos receiam manifestar livremente as suas opiniões, condicionando, assim, o exercício da liberdade de expressão. Manifestou reservas também sobre a introdução do voto electrónico, uma vez que a maioria da população ainda não tem acesso regular à energia eléctrica.

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Manuel Cossa recordou a longa luta de Moçambique pela independência e o subsequente conflito armado. Ressaltou que persistem desfasamentos entre o discurso político e a realidade dos cidadãos. Cossa reiterou a necessidade de um sistema judicial mais célere e a criação de mecanismos claros para impedir a autoproclamação de resultados eleitorais.

Durante a sessão, o líder do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, questionou a metodologia utilizada no relatório apresentado pela COTE. Mondlane pediu esclarecimentos sobre os critérios adoptados para classificar os cenários políticos e a composição da amostra dos cidadãos ouvidos, alertando que a falta de clareza nestes aspectos poderia comprometer a credibilidade do processo.

Ivone Soares, representante da COTE, fez uma apresentação do relatório preliminar das auscultações públicas realizadas em todo o País. Apelou à participação activa dos cidadãos e destacou a importância do diálogo e da diversidade de opiniões.

A fase actual resulta das auscultações anteriores e será seguida pela sistematização das contribuições recolhidas, que serão transformadas em propostas a submeter à Assembleia da República. Soares advertiu que, uma vez concluída a fase de sistematização, não haverá nova oportunidade para apresentação de propostas.

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