Sociedade Governo de Moçambique intensifica uso de águas subterrâneas para combater a seca

Governo de Moçambique intensifica uso de águas subterrâneas para combater a seca


O Governo moçambicano anunciou a intensificação do uso de águas subterrâneas para a irrigação de campos agrícolas, numa estratégia destinada a mitigar os efeitos da seca provocada pelo fenómeno El Niño. 

A declaração foi feita pelo Director Nacional da Agricultura, Jubala Zibia, durante uma visita ao distrito de Boane, na província de Maputo.

Esta abordagem visa apoiar os agricultores e fortalecer a capacidade de resposta do sector agrícola frente aos desafios impostas pelas alterações climáticas, como a escassez de água em diversas regiões do país. Zibia salientou que, embora tradicionalmente a irrigação tenha sido realizada com base em águas superficiais, existem áreas sem rios ou lagoas, que podem beneficiar do uso de água subterrânea.

“Estamos convencidos de que a utilização de furos de água permitirá aumentar a área irrigada e, consequentemente, garantir a produção agrícola e atender às necessidades das comunidades, nomeadamente no fornecimento de água para os animais,” declarou.

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural está a mobilizar parceiros para implementar um conjunto de intervenções focadas nos produtores das zonas mais afectadas pelo El Niño, especialmente nas províncias de Gaza e Inhambane, prevendo o fornecimento de insumos agrícolas e assistência directa aos agricultores.

Zibia destacou a importância de distribuir sementes tolerantes à seca e de ciclo curto, fundamental para maximizar a utilização da água disponível nas zonas afectadas. Para a campanha agrícola 2026/2027, o Governo aponta para uma produção entre 6,8 e 7 milhões de toneladas de diversas culturas, com uma produção de cereais estimada em 3,8 milhões de toneladas.

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Durante a sua visita, Zibia observou a experiência da Cooperativa 25 de Setembro, reforçando o potencial da irrigação tanto na agricultura familiar como na comercial. Ele fez um apelo ao sector privado para um maior envolvimento na agricultura, afirmando que as reformas em progresso devem criar um ambiente propício para o aumento da produção nacional.

Penina Mussana, produtora da Cooperativa 25 de Setembro, destacou que a sua produção foi reestabelecida com a ajuda do Governo, após as perdas causadas por cheias. Actualmente, ela cultiva hortícolas, milho, repolho e feijão verde, utilizando sistemas de irrigação para garantir a produção durante a época seca.

Entretanto, Artur, outro produtor local, lamentou as dificuldades no acesso a combustível, o que tem dificultado o funcionamento das bombas de irrigação e a rega dos campos.

Estas iniciativas visam, assim, a recuperação e a resiliência do sector agrícola em Moçambique, num panorama que se prevê desafiador face às mudanças climáticas.

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