O actor e encenador Joaquim Matavel expressou a sua preocupação com a situação do Cine-Teatro Gil Vicente, um dos espaços culturais mais icónicos da capital moçambicana, que permanece encerrado para requalificação há vários anos. A degradação do local levanta questões sobre a sua gestão e a sua importância para a cultura local.
Durante um fórum cultural realizado recentemente no Centro Cultural Franco-Moçambicano, Matavel reflectiu sobre o encerramento do Gil Vicente, afirmando que a decisão de fechar completamente o espaço não foi uma solução viável. “Era uma questão de gestão de espaços. Poderíamos ter afirmado que, em vez de um encerramento total, poderia haver outras formas de conservação”, disse o artista, sublinhando a importância do uso contínuo de estruturas culturais.
O Cine-Teatro Gil Vicente foi, durante anos, a sede da associação cultural Girassol, responsável pelo Festival Internacional de Teatro de Inverno (FITI), o mais antigo do país, com mais de 20 edições. Matavel lamentou a perda de materiais da associação, que tiveram de ser abandonados devido ao estado precário do espaço.
Recentemente, o município de Maputo anunciou um concurso de parceria público-privada para a reabilitação do Gil Vicente. O investimento requerido deverá ser suportado integralmente pelo parceiro, que, em contrapartida, obterá o direito de gestão e exploração do espaço, conforme estipulado no documento publicado no jornal “Notícias”.
Inaugurado na sua versão definitiva em 1933, o Cine-Teatro Gil Vicente representa um legado arquitectónico e cultural, fruto da visão de Manuel Augusto Rodrigues, um empreendedor que se estabeleceu em Moçambique no final do século XIX. A reabertura deste emblemático espaço é aguardada com ansiedade pela comunidade cultural, que reconhece a sua importância para a vida artística da cidade de Maputo.

















