A família do ex-presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, obteve na Justiça, o direito de sepultar o corpo do líder na África do Sul, um ano após sua morte.
Lungu faleceu em uma clínica em Pretória, e o governo zambiano havia conseguido uma decisão do tribunal superior para repatriar o cadáver, com o desejo de realizar um enterro estatal.
A intenção do governo era que Lungu fosse enterrado ao lado de seus antecessores no cemitério presidencial especial em Lusaca. Contudo, essa não era a vontade da família, uma vez que o ex-presidente expressou que não desejava que o actual presidente, Hakainde Hichilema, estivesse presente em seu velório ou se aproximasse de seu corpo.
A sentença judicial destaca que Lungu “se considerava persona non grata em seu próprio país”. A Corte Suprema de Apelação ressalta que os direitos constitucionais à dignidade, privacidade e autonomia familiar devem prevalecer sobre os interesses estatais, garantindo assim à família o direito de decidir o local e a forma do funeral de Lungu.
O ex-presidente, que tinha 68 anos, ocupou o cargo de 2015 a 2021, e a causa da sua morte não foi divulgada. Após deixar a presidência, a família afirmou que Lungu passou a ser maltratado pelo governo actual, incluindo a retirada de todos os benefícios de ex-presidente em 2023, a proibição de viajar ao exterior para tratamento médico em Setembro de 2023 e acções policiais que o impediam de frequentar cultos religiosos.
A família declarou que Lungu “expressamente não queria que o presidente Hichilema presidisse o seu funeral”, considerando tal ato “imoral e desrespeitoso”, visto que ele não acreditava nos ritos que seriam aplicados, especialmente supervisionados por alguém que considerava um inimigo.














