Um grave protesto envolvendo vítimas das inundações na província de Gaza iniciou na tarde do último sábado. Centenas de famílias afectadas pelas recentes cheias, que se encontram acolhidas no maior centro de acomodação da cidade de Xai-Xai, manifestam-se contra o alegado desvio de donativos destinados a suportar as suas necessidades.
De acordo com uma publicação do jornal “O País”, os manifestantes acusam gestores do centro e agentes da Polícia da República de Moçambique de estarem implicados no desaparecimento de bens essenciais. O protesto acontece no Centro de Acomodação de Artes e Ofícios, onde mais de 1.900 famílias perderam as suas casas devido às inundações e estão abrigadas há cerca de um mês.
Entre os produtos alegadamente desviados encontram-se fardos de roupa usada, cobertores, bolachas e outros bens destinados, em particular, a crianças e idosos. As vítimas estão a exigir esclarecimentos sobre a destinação da ajuda recebida.
O porta-voz do Centro Operativo de Emergência em Xai-Xai, Marcelino Biza, foi citado na publicação e reconheceu a possibilidade de desvios pontuais, mas garantiu que o caso está a ser investigado, rejeitando a ideia de um esquema generalizado de apropriação indevida dos donativos.
Além das denúncias de desvio de ajuda, os manifestantes contestam a decisão de desactivar o centro de acomodação a partir desta segunda-feira, afirmando que ainda não existem condições seguras para o regresso às suas zonas de origem, muitas das quais continuam inundadas.
As condições de vida no centro de acolhimento permanecem precárias. Relatos indicam a escassez de alimentos, a falta de mantas, fraldas e outros bens essenciais, e as vítimas descrevem dificuldades diárias para garantir uma refeição simples. “Pedimos ao Governo que venha ver a nossa realidade. Perdemos tudo e ainda não temos para onde voltar”, disse uma das vítimas das inundações.
A província de Gaza foi severamente atingida pelas recentes cheias que devastaram o país, e este incidente destaca a fragilidade da logística de apoio humanitário, bem como a crescente desconfiança nas instituições locais durante períodos de crise. As autoridades enfrentam agora o desafio de restaurar a confiança da população e garantir que a ajuda chegue efectivamente àqueles que mais precisam.














