Politica AR debate aumento das despesas com remunerações na função pública

AR debate aumento das despesas com remunerações na função pública

Deputados de cinco comissões de especialidade da Assembleia da República (AR) de Moçambique manifestaram a sua inquietação em relação ao crescimento das despesas com salários e remunerações no sector público, mesmo com a ausência de admissões de novos funcionários nos últimos anos.

As comissões envolvidas — os Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade (CACDHL), o Plano e Orçamento (CPO), os Assuntos Sociais, Género, Tecnologias e Comunicação Social (CASGTCS), e a de Agricultura, Economia e Ambiente (CAEA) — participam, esta semana, numa formação sobre a interpretação eficaz da Conta Geral do Estado (CGE) e do Plano Económico e Social para 2026 (PESOE). O evento decorre no município da Matola, na província de Maputo, e é promovido pelo Fundo de Monitoria do Orçamento (FMO), uma organização da sociedade civil.

Cernilde Muchanga, vice-presidente da CPO, afirmou que, apesar do número reduzido de admissões de funcionários, continua a haver um aumento nas despesas destinadas a salários no orçamento. “É necessário compreender as razões que contribuem para este crescimento nesta rubrica, tendo em conta que estamos a admitir apenas um número ínfimo de funcionários”, declarou.

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Muchanga sublinhou que a capacitação será crucial para o aprimoramento das abordagens dos deputados face à proposta do PESOE para 2026, que deverá ser discutida em plenário brevemente. A vice-presidente apela à troca de experiências entre os parlamentares, de forma a optimizar a elaboração de pareceres sobre finanças públicas.

Por sua vez, Fátima Mimbire, especialista do FMO em Finanças Públicas e Indústria Extractiva, destacou que, embora a proposta do PESOE para 2026 apresente uma estrutura técnica sólida, peca em algumas áreas. Mimbire alertou para a previsão de contratações muito baixas de professores e enfermeiros, enquanto mais de um milhão de crianças deverão ingressar no sistema nacional de ensino. “As incongruências referidas no documento são, resultado das restrições orçamentais que precisam ser abordadas”, afirmou.

A especialista enfatizou ainda a necessidade de o governo optimizar a busca de recursos internos, recomendando a realização de uma auditoria ao sector extractivo, dado que este continua a ocultar receitas significativas que não chegam aos cofres do Estado.

A formação prosseguirá em dias intercalados, com a próxima sessão marcada para a próxima sexta-feira, dia 21 de Novembro.

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