Sociedade Fecundidade elevada dificulta desenvolvimento em Moçambique, alerta UNFPA

Fecundidade elevada dificulta desenvolvimento em Moçambique, alerta UNFPA

A elevada taxa de fecundidade em Moçambique continua a representar um desafio significativo na provisão de serviços básicos às populações. 

Esta conclusão surge de um relatório intitulado “A verdadeira crise de fecundidade: a busca pela autonomia reprodutiva em um mundo em transformação”, elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA).

O relatório resulta de uma investigação realizada em 14 países que, em conjunto, abrangem cerca de 37% da população mundial. O documento revela que a maioria das pessoas expressa o desejo de ter filhos, muitas inclusive desejando mais filhos do que a realidade permite, tendência que se verifica mesmo em países com menores taxas de fecundidade.

Segundo o último Inquérito Demográfico de Saúde (IDS) apresentado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), em Moçambique, cada mulher em idade fértil pode ter até 5 filhos, com uma taxa média de 4,9. Este número supera mais do que o dobro da taxa de reposição populacional, fixada em 2,1, necessária para a manutenção da população.

Embora a taxa actual evidencie uma redução face às taxas observadas nos censos de 1997 e 2007, que eram 6,0 e 5,8, respectivamente, Moçambique mantém-se com uma taxa elevada. Para Eládio Muianga, oficial de programas do UNFPA, a situação clama por políticas que satisfaçam as necessidades da população, enfatizando que a definição de políticas que promovam a transição demográfica é crucial para alcançar o dividendo demográfico.

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Segundo Muianga, é essencial maximizar o potencial da população jovem, proporcionando-lhes melhores condições de vida, de modo a contribuir para o desenvolvimento do país.

Inés Raimundo, docente e investigadora da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), destaca diversos factores que sustentam a elevada taxa de fecundidade, entre os quais se inclui a baixa instrução da população. A docente reforça que uma educação de qualidade é vital para uma melhor percepção da realidade.

Além disso, menciona que as normas culturais, ainda prevalentes, valorizam um maior número de filhos como símbolo de poder e prestígio. Assim, a investigadora defende que a natalidade deve ser uma escolha, e não uma imposição, promovendo gravidezes desejadas e seguras.

O relatório do UNFPA, portanto, sublinha a urgência de medidas que abordem estas questões para promover o bem-estar da população moçambicana.

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