Capa Protestos em Moçambique já causaram 88 mortos

Protestos em Moçambique já causaram 88 mortos

A cidade de Maputo, capital de Moçambique, permanece em estado de agitação intensa, com protestos continuando na fase “4×4” de manifestações convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane. 

Desde o início das manifestações, no dia 21 de outubro, a situação tem-se deteriorado, resultando na morte de pelo menos 88 pessoas e 274 feridos a bala, além de um alarmante total de 3.450 detenções, conforme relatado esta sexta-feira pela organização não-governamental Plataforma Eleitoral Decide.

Em Nampula, as autoridades noticiaram sete mortes ocorridas apenas na quinta-feira, dia 5, com a polícia a confirmar que pelo menos cinco vítimas perderam a vida e outras três ficaram feridas.

O porta-voz da polícia nacional, Orlando Modumane, indicou que entre as vítimas, algumas foram atropeladas e espancadas, sublinhando que não houve registos de agentes da polícia entre os falecidos.

A manhã desta sexta-feira foi marcada por incidentes de violência, com a queima de pneus e o bloqueio de várias ruas na capital. Em Namiepe, um distrito da cidade, ocorreu uma tentativa de invasão à 5ª Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM), que foi rapidamente controlada pelos agentes.

Augusto Ramos, secretário do bairro de Namiepe, expressou a sua preocupação ao portal de notícias Ikweli, revelando que líderes comunitários estão a ser alvo de perseguições. “Estamos preocupados porque em cada manifestação estamos a sofrer um roubo e crime. Ontem, tive que correr com a minha família para escapar de manifestantes que vinham à minha casa para nos ameaçar, alegando que sou da Frelimo”, lamentou Ramos.

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No plano político, o Conselho Constitucional deverá confirmar os resultados eleitorais dentro de duas semanas antes da cerimónia de tomada de posse, agendada para Janeiro de 2024, do candidato da Frelimo, Daniel Chapo, de 47 anos, que se apresentou como vencedor com cerca de 71% dos votos.

Em contrapartida, Venâncio Mondlane, de 50 anos, líder do partido Podemos, contesta os resultados, alegando que uma contagem alternativa revelou que recebeu 53% dos votos, enquanto Chapo ficaria com apenas 36%.

Antigo apresentador de rádio, Mondlane manifestou nas redes sociais a sua incredulidade sobre a passividade dos manifestantes durante a época festiva, afirmando: “Desta vez, não vamos ter Natal, porque o povo vai estar na rua”.

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