O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou durante a cerimónia de comemoração dos 60 anos das Forças Armadas e dos 51 anos da independência do país, que na próxima semana convocará a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e os partidos políticos para a definição de uma nova data para as eleições.
O anúncio foi feito no âmbito das celebrações que também marcaram o centenário do nascimento do líder histórico Amílcar Cabral.
Embaló iniciou a sua intervenção em português, antes de se dirigir ao povo guineense em crioulo, abordando a actual situação política do país. O Presidente manifestou o seu desejo por “estabilidade política” e apelou à necessidade de “renunciar a toda a violência”, numa altura em que a oposição tem exigido a remarcação do ato eleitoral, tendo inclusive planeado manifestações que foram posteriormente canceladas.
No seu discurso, Sissoco Embaló recordou os impactos negativos dos sucessivos golpes militares na reputação das Forças Armadas, afirmando que está em curso um processo de “reconstrução” da instituição.
O Presidente fez questão de esclarecer que, embora a data da independência, declarada unilateralmente a 24 de Setembro de 1973, não pode ser alterada, as festividades podem ser ajustadas, uma vez que a época das chuvas em Setembro dificultaria a participação de representantes de outros países.
A cerimónia contou com a presença de várias personalidades, incluindo o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, que visitou a Guiné-Bissau pela segunda vez em poucos meses. Sissoco Embaló destacou que a relação entre os dois países é uma relação de povos e não de indivíduos.
Amílcar Cabral, cuja figura foi evocada em vários discursos, foi homenageado como um ícone da luta pela libertação do país. O Presidente guineense enalteceu não apenas Cabral, mas também todos os combatentes e comandantes que participaram na luta pela independência, incluindo o ex-Presidente Nino Vieira.
Durante a cerimónia, mais de cem oficiais foram condecorados, incluindo o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Biaguê Na N’tan, e a presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular, Adja Satu Camará. O Ministro da Defesa, Dionísio Cabi, sublinhou que o modelo das Forças Armadas da Guiné-Bissau deve-se em parte ao legado de Amílcar Cabral, um “homem que transcendeu o seu tempo”.

















