A Polícia da República de Moçambique (PRM) está a investigar as circunstâncias da morte de um homem suspeito de pertencer a uma organização criminosa, poucos dias após a sua detenção na esquadra do bairro de Ponta Gêa, na província de Sofala.
O porta-voz da PRM, Dércio Chacate, afirmou à agência Lusa que foi instaurada uma comissão de inquérito para apurar as condições em que o suspeito morreu.
Segundo Chacate, o detido saiu da unidade policial com vida, embora em estado grave, e acabou por falecer no Hospital Central da Beira (HCB). A morte do homem de 42 anos, segundo um relatório de medicina legal do HCB, foi provocada por queimaduras de segundo grau, múltiplos hematomas e traumas resultantes de agressões com objectos contundentes e exposição a líquido fervente.
Este relatório foi divulgado pelos meios de comunicação locais, levantando preocupações sobre a possibilidade de maus-tratos durante o período em que o suspeito esteve sob custódia policial.
Segundo as declarações do porta-voz, o homem, identificado como um membro de uma organização criminosa envolvida em crimes como roubos, extorsão, chantagem a empresários, furtos agravados e agressões físicas, já apresentava sinais de debilidade física no momento da sua detenção.
“Desde o início da sua detenção, ele mostrava evidentes sinais de fragilidade e possuía alguns ferimentos”, explicou Chacate, acrescentando que o suspeito foi levado ao hospital nos dias 11 e 12 de dezembro devido ao seu estado de saúde deteriorado.
Apesar das tentativas de assistência médica, a condição do suspeito não melhorou, e no dia 13 de Dezembro ele foi transferido novamente para o Hospital Central da Beira, onde faleceria.
A PRM está a conduzir a investigação interna para esclarecer se os ferimentos que causaram a morte foram infligidos antes ou durante a sua detenção, e se as condições nas celas da esquadra contribuíram para o agravamento do estado de saúde do suspeito.
Este caso ocorre num momento delicado para as autoridades moçambicanas, que enfrentam críticas crescentes sobre o tratamento dado a detidos e o respeito pelos direitos humanos nas suas operações policiais. A morte do suspeito levanta questões sobre a conduta das forças de segurança e a sua responsabilidade na preservação da integridade física dos detidos enquanto estão sob custódia.
Entretanto, as investigações continuam, com a comissão de inquérito a procurar apurar todos os detalhes do caso, incluindo a possível responsabilidade de elementos da PRM ou de terceiros no falecimento do homem detido.















